Grêmio contesta VAR após gol anulado contra o Botafogo

O Grêmio perdeu por 3 a 2 para o Botafogo nesta quarta-feira, 16, no Estádio Nilton Santos, pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro, e contestou a arbitragem. O principal alvo foi o gol de Carlos Vinícius, anulado aos 45 minutos do segundo tempo, que poderia ter garantido o empate.

O lance foi analisado pelo árbitro de vídeo com auxílio da tecnologia de impedimento semiautomático. A revisão apontou irregularidade na posição do centroavante gremista, com a marcação baseada no posicionamento do ombro do jogador.

Para Rafael Lima, vice-presidente de futebol do Grêmio, a decisão não apresentou segurança suficiente para justificar a anulação. O dirigente após a partida e classificou o episódio como parte de uma sequência de decisões que, segundo ele, vêm prejudicando o clube.

Dirigente questiona precisão da tecnologia

A principal crítica de Rafael Lima foi direcionada à interpretação do lance. O dirigente sustentou que as imagens não apresentavam uma conclusão inequívoca sobre o impedimento e questionou a utilização da tecnologia em uma situação que considerou duvidosa.

“As imagens deixam claro que, no mínimo, aquele lance é inconclusivo. E o lance inconclusivo, mesma linha no impedimento, sempre foi a favor do ataque. O que a gente viu hoje aqui foi uma vergonha. A tecnologia servindo para prejudicar a equipe que fez o gol”, comentou.

O gol de Carlos Vinícius aconteceu nos minutos finais de uma partida em que o Botafogo abriu vantagem com dois gols de Danilo Santos e outro de Álvaro Montoro. Jovane Cabral e Gustavo Martins marcaram para o Grêmio.

A derrota deixou o clube gaúcho com 26 pontos, na 16ª colocação do Campeonato Brasileiro. O resultado manteve a equipe próxima da parte inferior da tabela e ampliou o peso dos episódios de arbitragem citados pela direção.

Grêmio cobra respostas da CBF

Rafael Lima também relacionou o lance do Nilton Santos a outras partidas do Grêmio. O dirigente mencionou os confrontos contra Bragantino e Vitória, nos quais, segundo ele, a própria CBF reconheceu posteriormente erros da arbitragem.

Em um dos casos, por exemplo, a entidade teria apontado que um gol do Tricolor Imortal não deveria ter sido anulado. No outro, houve o entendimento de que um jogador adversário deveria ter sido expulso. A crítica do dirigente, portanto, não se restringiu à decisão tomada no Rio de Janeiro.

“É uma vergonha. São pontos retirados do Grêmio de forma sistemática. Não adianta profissionalizar a arbitragem. Estamos sendo prejudicados jogo após jogo e nada acontece. Ou a CBF cria vergonha na cara e começa a tratar o Grêmio com igualdade”, concluiu.

Internacional x Cruzeiro terá teste inédito de tecnologia no Beira-Rio; entenda

O jogo entre Internacional e Cruzeiro, nesta quarta-feira, 22, pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro, marcará o retorno do Colorado após a Copa do Mundo e o primeiro teste do impedimento semiautomático no Beira-Rio em uma partida oficial.

A Agência RTI Esporte apurou que a tecnologia será utilizada em caráter experimental. Embora sem impacto nas decisões da arbitragem, o sistema funcionará em um modelo mais avançado, próximo ao previsto pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

As imagens captadas pelas câmeras instaladas no estádio serão enviadas em tempo real para a central do VAR da CBF, no Rio de Janeiro. O objetivo é avaliar o desempenho do sistema em condições semelhantes às de uma partida oficial.

Sistema busca reduzir tempo de análise do VAR

O impedimento semiautomático, antes de mais nada, ganhou projeção internacional durante a última Copa do Mundo e passou a ser considerado uma das principais inovações tecnológicas da arbitragem nos últimos anos.

O sistema utiliza câmeras posicionadas em diferentes pontos do estádio para monitorar a movimentação dos jogadores e da bola. Com essas informações, um software identifica automaticamente possíveis situações de impedimento.

Na prática, a tecnologia reduz o tempo necessário para a conferência dos lances. Em vez de traçar manualmente as linhas de impedimento, o árbitro de vídeo recebe uma reconstrução mais rápida da jogada, agilizando a tomada de decisão.

O equipamento foi instalado na Arena Beira-Rio no fim de abril. Desde então, passou por uma série de testes internos para verificar o funcionamento da estrutura e a integração com os sistemas e funcionários da CBF.

CBF ainda não definiu data para implantação

A estreia operacional do sistema estava inicialmente prevista para o jogo-treino entre Internacional e Caxias, realizado durante a intertemporada, durante a pausa no calendário para a Copa do Mundo. No entanto, a avaliação acabou sendo adiada.

Mesmo assim, a estrutura instalada na Arena Beira-Rio recebeu aprovação técnica. Em abril, representantes da Diretoria de Arbitragem da CBF acompanharam um ensaio durante a partida entre Internacional e Mirassol e consideraram satisfatório o desempenho dos equipamentos.

O duelo com o Cruzeiro será mais um passo antes da adoção definitiva da tecnologia. A CBF, porém, ainda não definiu uma data para implementar o impedimento semiautomático no Campeonato Brasileiro.

A expectativa da entidade é ampliar gradualmente o uso do sistema conforme os resultados obtidos nas avaliações realizadas nos estádios brasileiros. Uma das possibilidades estudadas é iniciar a utilização oficial a partir das quartas de final da Copa do Brasil.

O Beira-Rio passa a integrar o grupo de estádios preparados para a nova tecnologia. Para o Internacional, o duelo com o Cruzeiro valerá não apenas pelos pontos, mas também por marcar um avanço na modernização da arbitragem brasileira.

CBF encerra fórum com clubes da Série A, e decisão gera reação nos bastidores

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu encerrar o Fórum Permanente de Arbitragem realizado semanalmente com os clubes da Série A. A medida já circula nos bastidores e deve ser comunicada oficialmente às equipes nos próximos dias.

A Agência RTI Esporte apurou que os encontros aconteciam todas as segundas-feiras e reuniam representantes da Comissão de Arbitragem da CBF e dirigentes dos clubes que disputam a principal competição nacional.

Durante as reuniões, eram debatidos lances polêmicos das rodadas, interpretações das regras, critérios utilizados pelos árbitros e procedimentos relacionados ao árbitro de vídeo (VAR). A decisão de acabar com o fórum, porém, desagradou parte dos representantes dos clubes.

Clubes perdem espaço para cobrar critérios da arbitragem

O Fórum Permanente foi criado com a proposta de aproximar a Comissão de Arbitragem dos clubes. A cada rodada, representantes das equipes tinham a oportunidade de apresentar questionamentos sobre decisões tomadas dentro de campo e sobre determinados lances.

Para os dirigentes, o modelo ajudava a esclarecer dúvidas e permitia maior transparência no processo de avaliação da arbitragem. Nos bastidores, clubes entendiam que o encontro semanal era um mecanismo importante para melhorar a comunicação com a CBF.

Além das reclamações sobre erros individuais, as conversas também serviam para discutir diferenças de interpretação entre árbitros. A preocupação dos dirigentes é que, sem o fórum, as cobranças fiquem restritas a manifestações públicas ou contatos pontuais com a entidade.

VAR e critérios continuam gerando debates

A arbitragem tem sido alvo de críticas constantes nas últimas temporadas. Lances envolvendo o uso do VAR, interpretações diferentes para jogadas semelhantes e decisões tomadas durante as partidas frequentemente geram questionamentos de clubes, jogadores e torcedores.

Nesse cenário, as reuniões eram consideradas uma oportunidade para discutir os problemas de maneira institucional. Agora, dirigentes temem que esse processo de diálogo seja reduzido justamente em um momento de grande cobrança sobre o setor.

CBF deve apresentar novo modelo de comunicação

Embora a decisão já seja tratada como encaminhada, a CBF ainda deverá comunicar os clubes da Série A sobre o fim das reuniões. A expectativa é que a entidade explique os motivos da mudança e apresente uma nova forma de relacionamento com as equipes.

O encerramento do Fórum Permanente marca uma alteração na relação entre a Comissão de Arbitragem e os clubes. Para os dirigentes, manter um canal aberto é fundamental para discutir critérios, esclarecer dúvidas e buscar evolução na arbitragem nacional.

Santos vai à CBF e reclama de gol anulado contra o Cruzeiro

O Santos anunciou que irá formalizar uma reclamação junto à Confederação Brasileira de Futebol contra a arbitragem da partida diante do Cruzeiro, disputada no Mineirão, pela oitava rodada do Campeonato Brasileiro Série A. O confronto terminou empatado em 0 a 0, mas ficou marcado por um lance polêmico já nos acréscimos do segundo tempo.

O clube contesta o impedimento assinalado no gol de Álvaro Barreal, que poderia ter garantido a vitória santista. A diretoria informou, por meio de nota oficial, que vai solicitar esclarecimentos sobre a decisão da arbitragem de vídeo, comandada por Diego Pombo Lopez.

Polêmica com o VAR gera revolta no Santos

Para sustentar sua posição, o Santos utilizou imagens congeladas do lance, sem o traçado das linhas do VAR, alegando que o jogador não estava em posição irregular. A decisão causou forte indignação nos bastidores e gerou reação imediata do técnico Cuca, que criticou o uso da tecnologia.

“O VAR jogou fora a boa arbitragem de Ramon Abatti Abel. A imagem já está com os jogadores e mostra que ele estava atrás.” — afirmou o treinador.

A insatisfação também ganhou repercussão fora de campo. O atacante Neymar, desfalque na partida, utilizou as redes sociais para se manifestar contra a decisão da arbitragem.

Situação na tabela

Com o empate, o Santos chegou aos sete pontos e segue fora da zona de rebaixamento. Já o Cruzeiro, que ainda não venceu na competição, permanece na última colocação, com quatro pontos.

O clube paulista agora aguarda um posicionamento da CBF sobre o caso, enquanto tenta manter o foco na sequência do Brasileirão.

Coritiba: Jacy reclama de cotovelada em clássico e critica atuação do VAR no Athletiba

A derrota do Coritiba por 2 a 0 para o Athletico Paranaense, no clássico disputado na Arena da Baixada, foi marcada por reclamações do lado alviverde. Após o apito final, o zagueiro Jacy chamou atenção ao aparecer na zona mista com o lábio superior bastante inchado e fez duras críticas à arbitragem.

O defensor afirmou ter sido atingido por uma cotovelada do atacante Viveros, autor de um dos gols da partida, durante uma disputa de bola no segundo tempo. Segundo ele, o lance foi ignorado tanto pelo árbitro Raphael Claus quanto pelo VAR.

“Foi um lance com o Viveros, achei que ele deu uma cotovelada. O juiz falou que o VAR analisou e considerou normal. Mas não vejo nada normal, está doendo bastante. É complicado, porque o VAR olha alguns lances e outros não.” — declarou.

Revolta com arbitragem e foco na sequência do Coritiba

Apesar da insatisfação com o episódio, Jacy evitou ampliar a polêmica e destacou a importância de manter o foco no trabalho para a sequência da temporada. O zagueiro reconheceu o peso da derrota em um clássico, mas demonstrou confiança na evolução da equipe.

“Clássico sempre tem um peso maior, envolve dois grandes da cidade. Foi uma derrota difícil, mas a gente confia no que vem sendo feito no dia a dia. Agora é continuar trabalhando.” — afirmou.

Com o resultado, o Coritiba segue com 13 pontos e ocupa a sétima colocação no Campeonato Brasileiro Série A, mesma pontuação do rival Athletico, mas atrás nos critérios de desempate.

O time alviverde terá cerca de dez dias de preparação até o próximo compromisso, diante do Vasco, pela nona rodada da competição, no Couto Pereira.

FERJ anuncia mudanças no VAR do Carioca: cronômetro vai parar e árbitro verá menos câmeras

O Campeonato Carioca de 2026 terá novidades significativas no uso do árbitro de vídeo (VAR). A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ) anunciou um novo protocolo que promete mais transparência e menos interrupções nos jogos.

A Agência RTI Esporte apurou que a principal mudança é a paralisação oficial do cronômetro durante as revisões do VAR. A medida, inédita em competições estaduais do país, visa impedir que o tempo de bola parada prejudique o andamento das partidas.

Assim, o tempo efetivo de jogo deve aumentar, e as paralisações poderão ser controladas com maior precisão. Além disso, outra alteração importante está no procedimento de revisão de lances duvidosos.

Quando o árbitro for chamado ao monitor, verá apenas a imagem de uma câmera — a sugerida pela equipe do VAR. Caso queira outras perspectivas, o juiz poderá solicitar as imagens das demais câmeras, uma a uma, até o total de sete disponíveis.

Ainda segundo apurou a reportagem, a FERJ também anunciou uma política de transparência inédita no país. As imagens e áudios das checagens do VAR, por exemplo, serão disponibilizados ao público em duas etapas.

Primeiro, em um clipe com os lances polêmicos, cerca de duas horas após o término de cada partida; depois, com o conteúdo completo, em até 48 horas. A federação acredita que a medida vai reduzir questionamentos sobre decisões e aumentar a confiança no sistema.

Critério mais restrito para faltas e revisões de ataque

Outra mudança técnica diz respeito ao limite de retroação do VAR em jogadas de falta cometidas com posse de bola. O vídeo só será usado para revisar o lance se a infração ocorrer próxima da área e se o número de defensores for igual ou menor que o de atacantes.

Segundo a FERJ, a regra busca evitar revisões desnecessárias e garantir que apenas lances com real impacto em gols sejam analisados. As novas diretrizes entram em vigor já na fase de grupos do Campeonato Carioca de 2026.

VAR sobre possível pênalti para o Flamengo: “contato normal de jogo”

O Flamengo venceu o Botafogo por 3 a 0, na noite da última quarta-feira,15, e segue na cola do Palmeiras, na luta pelo título do Campeonato Brasileiro. Contudo, mesmo com a grande atuação e a vitória tranquila no Estádio Nilton Santos, o Flamengo deixou o campo reclamando da arbitragem.

Assim, depois da partida, na zona mista, o diretor de futebol, José Boto, foi o primeiro a reclamar do possível pênalti não marcado no lance em que Luiz Araújo recebeu um pisão de Allan, dentro da área. Com a visão aberta para o lance, o árbitro Alex Gomes Stefano entendeu como uma jogada normal.

Mesmo assim, a equipe do VAR entrou em ação para fazer a avaliação antes de decidir se chamaria ou não o árbitro na cabine para revisar o lance.

O que foi falado pela equipe do VAR?

 

“Contato normal de jogo, teve um disputa lateral e teve uma disputa por baixo, que não foi nada faltoso pra mim”, afirmou Alex Gomes Stefano .

“Vejo um contato muito leve, não vejo um pisão claro. Não impacta na jogada. Tudo checado, pode seguir. É um contato insignificante de jogo”, disse o VAR, Rodolpho Toski Marques que seguiu alertando sobre o lance polêmico.

“Tudo checado ai pode seguir. Tem um contato leve, que não impacta na ação na sequência da jogada. Não tinha nem possibilidade de pegar a bola mais a frente, porque a defesa já tinha prioridade. É um contato insignificante de jogo”, encerrou.

Desse modo, vale lembrar que antes da partida o Botafogo foi até a CBF cobrar profissionalismo da arbitragem no confronto com o Flamengo. O ato foi visto como mais uma ação para colocar pressão no árbitro do confronto. Por fim, foi o Flamengo quem saiu de campo reclamando.

O que podemos concluir a partir das imagens do VAR da partida contra o São Paulo?

Desde sua implementação no futebol brasileiro, o árbitro assistente de vídeo, conhecido como VAR, tem sido constantemente alvo de debates entre torcedores, dirigentes, imprensa e, é claro, jogadores. No caso do São Paulo Futebol Clube, popular clube no contexto nacional, essa discussão parece ainda mais acalorada em alguns momentos.

Em diversas partidas, os torcedores do time alegam que decisões polêmicas acabam interferindo diretamente nos resultados, principalmente em jogos clássicos ou decisivos.

No entanto, ao analisarmos com calma as imagens, protocolos e áudios fornecidos pelo VAR, o que podemos concluir? São apontamentos justos? Este sistema é passível de falhas? Ou como as imagens precisam e devem ser interpretadas? Saiba mais sobre isso a seguir.

A grande promessa do VAR para o futebol

O lançamento do VAR foi feito com uma premissa bastante clara: o uso da tecnologia para corrigir injustiças e evitar erros. Impedimentos milimétricos, pênaltis não marcados, agressões fora das jogadas e gols irregulares seriam, em tese, os principais alvos desta potente ferramenta. Porém, na prática, o que se vê é uma constante tensão entre a promessa de precisão e a realidade de cada interpretação.

Por ainda envolver a interpretação humana, a ferramenta não conseguiu cumprir na integralidade o seu propósito de passar a sensação de segurança e imparcialidade que as torcidas esperavam.

No caso do São Paulo, por exemplo, resultados do VAR já foram questionados e essa tensão acaba ficando mais evidente em alguns jogos, principalmente naqueles clássicos ou que fazem parte de campeonatos importantes.

Isso acontece principalmente pelo fato de que as imagens nem sempre trazem clareza suficiente para o torcedor comum que, por desconhecer alguns aspectos, acaba relativizando – ou até mesmo contrapondo – a opinião dos profissionais da área.

Assim, um dos principais pontos de insatisfação dos torcedores acaba sendo uma aparente falta de transparência. Em alguns jogos, as câmeras acabam não mostrando ângulos suficientes para confirmar as marcações feitas e as decisões tomadas.

No entanto, a arbitragem se apoia em imagens e registros que nem sempre são exibidas ao público em tempo real. O torcedor não quer saber apenas se foi falta ou não, se estava impedido ou não.

Ele quer, na verdade, entender cada passo dessa decisão para a partir disso emitir sua opinião. E, quando justamente esse critério não é bem explicado, qualquer decisão contrária ao desejo pessoal tende a parecer tendenciosa – e é aí que os conflitos e discordâncias começam.

O dilema das decisões

O grande desafio do VAR, especialmente no contexto brasileiro, é a uniformidade dos critérios e das decisões. E, por isso, o São Paulo constantemente tem se sentido um dos clubes que mais acaba sofrendo com a falta de padrão nas decisões.

Isso é extremamente relevante para as torcidas, afinal, o resultado das partidas interfere diretamente no desempenho do clube nas competições. Para além disso, os resultados também impactam na autoestima dos torcedores, nas suas apostas em sites bet e, também, no seu envolvimento com o time.

Para se ter ideia da dimensão e dos impactos desta tecnologia, em jogos do Brasileirão, Copa do Brasil e até mesmo do campeonato Paulista, o VAR já decidiu sobre jogadas polêmicas que mudaram inclusive o resultado das competições.

Assim, é natural que os olhares da torcida estejam voltados para esta ferramenta, de modo a garantir que ela seja o mais fiel, justa e coerente possível. Neste caso, a tecnologia precisa trabalhar a favor da transparência.

Conclusão: transparência como palavra de ordem

Existem alguns caminhos para tornar a relação da torcida Paulista mais amistosa perante o VAR. Entre eles, está a possibilidade de se avaliar a divulgação imediata e completa das revisões, além, é claro, da padronização dos critérios e da inclusão de cada vez mais câmeras e ferramentas que garantam registros de qualidade.

Ao analisar o contexto das competições e o envolvimento das torcidas, fica muito claro que o problema não é o VAR em si, mas sim, as interpretações e a forma como algumas decisões são aplicadas e comunicadas.

Para os torcedores, por vezes é difícil aceitar sucessivas decisões controversas que nem sempre contam com explicações claras e consistentes. Isso acaba alimentando sentimentos negativos, que não combinam com o intuito inicial do VAR. A CBF, os árbitros e as entidades responsáveis ainda precisam evoluir neste sentido – e demonstram que estão cientes disso.

Exclusivo: Willian Nery, ex-árbitro, comenta utilização do VAR e necessidade de mudanças

O ex-árbitro Willian Marcelo Souza Nery, que fez parte do quadro de arbitragem da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) participou do RTI Esporte Cast. Desse modo, o experiente profissional comentou a utilização do VAR no futebol brasileiro e defendeu a mudança de alguns protocolos.

De acordo com o ex-árbitro, o mecanismo do VAR poderia ser melhor utilizado no Brasil caso algumas questões fossem melhor organizadas. Willian Nery citou a falta de educação de jogadores e o esgotamento físico de árbitros para justificar tantos problemas.

“Hoje eu vejo mais o Ramon Abatti Abel na televisão do que o presidente americano (Donald Trump). Isso leva a um esgotamento mental. Existe uma pressão muito grande em um jogo de futebol. Além disso, os jogadores sul-americanos são muito mal educados e isso tem a conivência da diretoria de cada clube”, disse Willian Nery, que completou.

“Lá fora (na Europa) funciona pelo respeito. Aqui, quando o árbitro vai à cabine, todo mundo vai em cima dele. Então essa falta de educação e esgotamento físico de árbitros, atrapalha. Pra mim isso é o grande problema”, revelou Willian Nery.

VAR como muleta pelos árbitros

Outra questão importante levantada por Willian Nery durante sua participação no RTI Esporte Cast foi com relação à falta de ação dos árbitros. De acordo com ele, muitos acabaram utilizando o VAR como mecanismo de decisão em suas arbitragens.

“Quando o VAR foi lançado, vimos um grande problema. Os principais árbitros deixaram a essência da função deles no futebol, que é apitar. Como tem o VAR, eles pensam que em qualquer erro podem ser chamados. Mas pensar assim é um erro”, avaliou, antes de completar.

“O VAR é uma ferramente de auxílio e não de decisão. Eu fui o primeiro árbitro do Brasil a usar a bandeira eletrônica e confesso que deixei de fazer alguns protocolos. Não é para ser assim. Acho que precisamos mudar os protocolos do VAR”, finalizou Willian Nery.

Var em São Paulo x Palmeiras: “escorregou, pode ir”

Quatro dias após o polêmico Choque-Rei no MorumBIS, vencido pelo Palmeiras por 3 a 2, a CBF divulgou os áudios do VAR referentes aos principais lances questionados pelo São Paulo. As conversas mostram que a equipe de arbitragem entendeu como acidentais os contatos em todos os lances reclamados pelos tricolores.

O primeiro deles ocorreu em um possível pênalti sobre Tapia, que caiu na área após choque com Allan. O árbitro Ramon Abatti Abel interpretou o lance como um escorregão do jogador palmeirense.
“Escorregou, escorregou, o jogador escorrega e os dois estão olhando para a bola! Pode seguir, não tem nenhum tipo de entrada aqui”, disse Ramon.

Na cabine, o VAR Ilbert Estevam da Silva confirmou a leitura: “Temos o jogador do Palmeiras que escorrega e tem um contato totalmente acidental, provocado pelo escorregão. É justamente o que você narra, Ramon. A bola não está para nenhum dos dois atletas.”

Outro momento de discussão envolveu Andreas Pereira, que atingiu a canela de Marcos Antônio. O árbitro aplicou apenas o cartão amarelo, decisão mantida pelo vídeo.
“Ele pisa na bola e a sola pega depois”, explicou Ramon Abatti Abel.
O VAR, ao revisar, concordou: “Ele pisa na bola para tentar jogar… tudo checado. Número 8, Andreas Pereira, identidade confirmada do cartão amarelo.”

Além disso, a partida ainda teve protestos pela não expulsão de Gustavo Gómez em dois lances, um pisão no primeiro tempo e uma cotovelada em Tapia na etapa final. Mas segundo a equipe de arbitragem, ambos os contatos foram acidentais.
“Quando ele vai levantar, toca o cotovelo. Já foi checado, quando vai levantar, atinge o rosto do atleta, mas não há gesto adicional, nenhuma ação de cotovelada no adversário”, afirmou o VAR durante a revisão.

Porque a divulgação dos áudios?

Com a divulgação, a CBF tenta dar transparência às decisões do clássico, mas as reclamações do São Paulo seguem intensas, principalmente pela interpretação dos contatos e pela ausência de intervenções do VAR nos momentos decisivos.

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