Antes de tudo, o ex-goleiro e técnico Emerson Leão, de 76 anos, acompanhou de perto a ascensão do Palmeiras nas últimas temporadas e exaltou a consistência do clube. Para ele, a força atual do time alviverde tem explicação simples. “Mexe pouco naquilo que está dando certo. A presidente é a mesma, o treinador é o mesmo, só mudaram algumas peças e compraram outras muito boas. Deu tempo para essas peças se adaptarem melhor.”
Leão elogiou também a gestão e o papel da presidente Leila Pereira. “Ela tem um diálogo positivo em relação à equipe, daquilo que ela pretende, daquilo que todos eles elaboram para contratar. Ela paga, vende também, mas entre vender e comprar, está no mesmo nível. Então essa equipe estará sempre do mesmo nível.”
Sobre Abel Ferreira, o ex-goleiro destacou o impacto da longevidade no comando. “O Abel às vezes dá sinal já descansado de cinco anos, fica em dúvida de todas as coisas, mas quando ele vê a proximidade sempre de um título, ele se renova.” Leão vê no técnico português uma continuidade rara no futebol atual e um reflexo da harmonia interna do Palmeiras.
Emerson Leão falou sobre o que foi a “Academia” do Palmeiras
Relembrando o passado, Leão comparou a geração que formava a “Academia” do Palmeiras com o time atual. “Na realidade o Palmeiras fez uma equipe perfeita e por isso ele chamava a academia. Ele ditava cátedras, não tinha pressa de vencer. Sabia que poderia vencer os adversários, só não sabia de quanto seria.”
O ex-treinador ainda comentou as mudanças do futebol moderno. “Não tinha substituição naquela época, não podia trocar cinco, seis. Não tinha estrangeiro no time. Tinha a capacidade do jogador brasileiro com os treinadores brasileiros que se assemelhavam, que tinham um relacionamento muito bom com os seus jogadores.”
Falando sobre o rival, Leão reconheceu a grandeza do Flamengo e o equilíbrio entre as duas equipes. “Não é novidade para ninguém que são as duas melhores equipes do país. O que destaca um do outro é um pouco mais de vibração, um pouco mais de técnica e alguns atletas individuais que possam fazer a diferença num momento de decisão perigosa.”
Ao ser questionado sobre qual título escolheria, foi direto e nostálgico. “O Campeonato Paulista. Porque antes o Campeonato Paulista, para os paulistas, no meu tempo, valia muito mais do que o Libertadores, do que o Campeonato Brasileiro. Só quando começaram a pagar mais, os clubes brasileiros começaram a ganhar.”




