A compra de ingressos para os jogos do Vasco tornou-se alvo de uma discussão que chega ao campo dos direitos do consumidor. A cobrança de taxas adicionais motivou uma representação formal encaminhada ao Procon Carioca, que decidiu abrir uma investigação sobre o caso.
A Agência RTI Esporte apurou que a iniciativa partiu do conselheiro Bernardo Silveira, integrante do grupo ArquibaVasco, que protocolou uma denúncia contra a empresa Eleven360 Tecnologia da Informação LTDA.
A plataforma tecnologia, voltada para a gestão de ingressos, controle de acessos, programas de sócio-torcedor e pagamentos cashless, é responsável pela operação da plataforma Eleven Tickets, utilizada pelo Vasco na venda de ingressos para seus torcedores.
O principal questionamento envolve a cobrança obrigatória da chamada taxa de serviço, equivalente a aproximadamente 10% do valor do ingresso, além de uma taxa de processamento fixada em R$ 1,98 por transação.
Segundo a representação, os valores são cobrados de forma compulsória e sem alternativa para o consumidor evitar a incidência dos encargos. A reclamação também destaca que, em muitos casos, essas cobranças aparecem apenas nas etapas finais da compra, dificultando a visualização prévia do custo total da operação.
Denúncia questiona transparência das cobranças
No documento encaminhado ao órgão de defesa do consumidor, o grupo político solicita esclarecimentos detalhados sobre diversos aspectos relacionados às taxas cobradas dos torcedores vascaínos.
Entre os questionamentos apresentados estão a natureza das cobranças, a metodologia utilizada para calcular os valores, a contrapartida efetivamente oferecida ao consumidor e o momento exato em que essas informações são disponibilizadas durante o processo de compra.
Outro ponto levantado diz respeito à inexistência de alternativas para aquisição dos ingressos sem a incidência das taxas. Para os autores da representação, a obrigatoriedade da cobrança pode representar desequilíbrio na relação de consumo.
O entendimento apresentado ao Procon sustenta que custos operacionais inerentes à atividade da empresa não deveriam ser transferidos automaticamente ao consumidor sem justificativa clara e transparência adequada.
Possíveis violações ao Código de Defesa do Consumidor
A representação também argumenta que a prática pode contrariar princípios estabelecidos pelo Código de Defesa do Consumidor. Entre eles estão o direito à informação clara, a boa-fé contratual e o equilíbrio entre fornecedor e consumidor.
Outro aspecto apontado pelo grupo envolve a política de reembolso. Segundo a denúncia, torcedores que devolvem seus ingressos recebem apenas o valor correspondente à entrada, sem restituição das taxas cobradas na operação.
Empresa tem prazo para apresentar esclarecimentos
Diante dos elementos apresentados, o Procon Carioca notificou oficialmente a empresa responsável pela comercialização dos ingressos e concedeu prazo de dez dias para manifestação da contestação. A expectativa é que a companhia esclareça a origem das cobranças.
Além disso, espera-se que a operadora apresente justificativas para os valores aplicados e informe quais medidas são adotadas para garantir transparência aos consumidores. O grupo ArquibaVasco afirma que a iniciativa vai além da discussão sobre valores específicos.
O objetivo declarado é abrir um debate mais amplo sobre práticas que, segundo seus integrantes, afetam milhares de torcedores de forma recorrente e silenciosa. Caso as respostas apresentadas não sejam consideradas satisfatórias, novas medidas poderão ser adotadas.
