O boxe carioca sempre foi celeiro de talento, raça e personalidade. Nos anos 90, quando o ringue ainda entrava nas casas brasileiras pela TV aberta, havia um nome que representava o Rio de Janeiro no cenário nacional com respeito e legitimidade: Francisco “Jim Kelly” Rosário.
Jim Kelly não foi promessa, não foi figurante, não foi acaso.
Foi campeão brasileiro. Venceu Teobaldo de Oliveira em luta de título, daquelas que não deixam margem para discussão. Quem conhece o boxe sabe: esse tipo de vitória não se concede — se conquista.
No circuito nacional, Jim Kelly enfrentou gente grande. Mediu forças com Reginaldo Holyfield, boxeador duríssimo, nome consolidado, combate reservado apenas a quem estava no mesmo patamar. E esteve no ringue com Todo Duro, personagem maior do boxe brasileiro, ídolo popular, estrela da TV Manchete. Dividir o ringue com Todo Duro significava uma coisa só: relevância nacional.
A Manchete não improvisava. O boxe era produto nobre, audiência alta, espetáculo sério. Se Jim Kelly aparecia ali com frequência, era porque representava o boxe carioca diante do país. Era um dos rostos do Rio no ringue brasileiro.
Hoje, a ausência de registros digitais cria uma injustiça silenciosa. A televisão acabou, os arquivos se perderam, e muitos campeões ficaram presos à memória de quem viveu aquele tempo. Mas a falta de Wikipédia não apaga carreira, não apaga cinturão, não apaga enfrentamentos.
Jim Kelly Rosário foi referência do boxe carioca. Foi nome conhecido no circuito profissional. Foi atleta que sustentou o peso de representar o Rio de Janeiro no ringue nacional — com técnica, coragem e dignidade.
Resgatar essa história não é saudosismo.
É respeito ao esporte.
Porque o boxe brasileiro foi construído também por homens como Jim Kelly — que não fugiram de desafio, não escolheram adversário e fizeram do ringue o seu documento.
Fica o registro, para que não se perca no silêncio:
Francisco “Jim Kelly” Rosário foi campeão brasileiro e um dos grandes representantes do boxe carioca no cenário nacional.
E isso, o tempo não apaga.
*Colunista – Rafael Luna




