Saiba quanto o Lyon devia quando foi comprado por John Textor? Veja os números por trás da operação

Saiba quanto o Lyon devia quando foi comprado por John Textor? Veja os números por trás da operação

Antes de mais nada, a aquisição do Olympique Lyon pelo empresário norte-americano John Textor, acionista majoritário da SAF Botafogo, concluída em junho de 2022, foi marcada por um cenário financeiro delicado.

A Agência RTI Esporte apurou que o investidor, ao assumir o controle de cerca de 77% a 78% do OL Groupe, encontrou um clube pressionado institucionalmente por prejuízos operacionais e um passivo crescente.

Na época, o Lyon já acumulava um déficit relevante. Apenas na temporada 2022/2023, o rombo girava em torno de € 298 milhões (R$ 1,7 bilhão, na cotação atual), reflexo de queda de receitas, impacto da pandemia e investimentos esportivos fora da realidade financeira.

Um passivo que ultrapassava meio bilhão

Se o déficit operacional já chamava atenção, o tamanho da dívida total era ainda mais expressivo. Em dezembro de 2022, poucos meses após a conclusão da compra, o endividamento global do Lyon foi estimado em aproximadamente € 540 milhões (R$ 3,1 bilhões).

O número expõe a dimensão do desafio assumido por John Textor e pela Eagle Football Holdings. O projeto passava necessariamente por uma reestruturação financeira profunda, com necessidade de renegociação de compromissos e aumento de receitas.

Pressão financeira e impacto esportivo

O alto nível de endividamento teve reflexos diretos no desempenho esportivo e na gestão do clube. Com menor margem para investimentos, o Lyon passou a adotar uma política mais cautelosa no mercado, ao mesmo tempo em que buscava equilibrar suas contas.

Ainda assim, o cenário permaneceu desafiador. A estrutura de custos elevada e a dificuldade em ampliar receitas de forma consistente mantiveram o clube francês e, principalmente, John Textor, sob pressão nos anos seguintes.

Dívida segue alta mesmo após redução

Mais recentemente, já em 2025, a dívida do Lyon foi reportada na faixa entre € 500 milhões e € 505 milhões (R$ 2,9 e R$ 3 bilhões). O número indica uma redução em relação ao pico registrado no fim de 2022, mas ainda revela um patamar considerado elevado para os padrões do futebol europeu.

Na prática, a diminuição gira em torno de € 35 milhões (R$ 203 milhões), o que aponta para um processo de estabilização — ainda que distante de uma solução definitiva. A leve melhora, porém, não foi suficiente para afastar completamente os riscos institucionais.

Rebaixamento administrativo expõe fragilidade

Em junho de 2025, o Lyon sofreu um duro golpe ao ser alvo de rebaixamento administrativo, consequência direta das dificuldades financeiras e do monitoramento rigoroso das autoridades que comandam o futebol francês.

O episódio evidenciou que, apesar de avanços pontuais, o clube ainda enfrenta desafios estruturais importantes. A gestão de John Textor, portanto, segue sob escrutínio, diante da necessidade de equilibrar competitividade esportiva com sustentabilidade econômica.

Do rombo ao controle: o tamanho do desafio

O caso do Lyon ilustra com clareza o tamanho do risco envolvido na aquisição de clubes endividados. Quando John Textor assumiu, encontrou um déficit de quase € 300 milhões e uma dívida que rapidamente ultrapassaria € 500 milhões (R$ 2,9 milhões).

Três anos depois, há sinais de estabilização, mas o problema está longe de ser resolvido. Para investidores e observadores do mercado, o exemplo francês serve como alerta: assumir um gigante significa herdar um passivo de proporções igualmente grandes.

Publicado por

Wilson Pimentel

Wilson Pimentel é Jornalista esportivo desde 1998. Cobriu os principais eventos esportivos da última década: Copa do Mundo, Copa América, Copa das Confederações, Olimpíadas, Jogos Pan-Americanos, Jogos Mundiais Militares, entre outros. Trabalhou nas redações do SBT, Record TV, CNT, Esporte Interativo, Rádio Tupi, Rádio Brasil e Rádio Manchete. Foi membro da equipe de comunicação da Conmebol. É correspondente de veículos de comunicação da Europa, América do Sul, Estados Unidos e México. É sócio-fundador da Agência RTI Esporte.

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