Do charme ao cansaço. Essa talvez seja a melhor definição do Campeonato Carioca hoje. O futebol do Rio de Janeiro, antes de tudo, vive um paradoxo incômodo. Seus clubes estão fortes. Muito fortes. Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco conquistaram títulos nacionais e continentais na última década.
Protagonizam o cenário brasileiro. Alguns, o sul-americano. Ainda assim, o estadual parece caminhar na direção contrária. O início do Carioca assusta. E não é exagero. Os últimos jogos do Flamengo, por exemplo, contra Portuguesa, Bangu e Volta Redonda foram fracos.
O Fluminense, aliás, contra o Madureira seguiu a mesma linha. A explicação vem pronta. Início de temporada. Pré-temporada com bola rolando. Times mistos. Sub-20. Sub-17. Tudo verdade. Mas não explica tudo. Flamengo e Volta Redonda, aliás, escancararam o problema.
Câimbras, chutões e sobrevivência. O Flamengo ficou com um a menos após a expulsão do garoto Carbone. Rondou a área. Criou chances. Tentou furar a retranca. Sim, retranca do Volta Redonda. Gramado pesado. Chuva. Calor sufocante. Jogadores extenuados.
Começamos o ano vendo um estadual que perdeu o sentido. Sempre dizem que depois melhora. Que os grandes entram para valer. Talvez. Tomara. Entretanto, a pergunta permanece. Esse modelo faz sentido? Os grandes usam como pré-temporada. Os pequenos, como chance de faturar.
O Campeonato Carioca já foi…
Antes de tudo, o Carioca já foi o mais charmoso do Brasil. Não passa de um campeonato sem identidade. Hoje, perde feio para o Paulista. Basta comparar. Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo mesmo com times mistos, entregaram jogo melhor.
É verdade que este ano há premiação e mais dinheiro de TV. Ainda assim, o produto segue fraco. Os clubes do Rio mandam no Brasil e na América. O campeonato, não. Talvez melhore na terceira rodada. Ou na quarta. Quem sabe.
Rubens Lopes, presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, deveria estar insatisfeito. O produto é ruim. Não há público. Isso porque a bilheteria sequer cobre uma folha salarial. Por ora, o charme do campeonato ficou no passado. Afinal, o desinteresse domina o presente.
(*) Marco Marcondes é jornalista, radialista, ator, diretor de cinema, teatro e televisão, promotor de eventos e CEO da Agência RTI Esporte


