Marco Ruas: o homem que lutou contra o próprio relógio

  Escrever sobre Marco Ruas é, inevitavelmente, falar de um atleta que lutou contra o próprio tempo. Enquanto muitos ainda tentavam compreender o que era vale-tudo, cross training ou uma luta sem rótulos, ele já estava à frente — testando […]

Marco Ruas e o surgimento do lutador completo

 

Escrever sobre Marco Ruas é, inevitavelmente, falar de um atleta que lutou contra o próprio tempo. Enquanto muitos ainda tentavam compreender o que era vale-tudo, cross training ou uma luta sem rótulos, ele já estava à frente — testando limites, misturando estilos e antecipando um futuro que só se consolidaria anos depois.

Naquele período embrionário das artes marciais mistas, quase tudo ainda era tentativa e erro. Ruas, porém, já tratava o combate como ciência.


Muito além de um lutador

Marco Ruas não foi apenas mais um competidor. Na prática, ele se tornou um conceito. Um verdadeiro laboratório humano de força, resistência e técnica. Em uma era em que o mundo das lutas se dividia em caixinhas bem definidas — karateca, faixa-preta de jiu-jitsu, boxeador —, Ruas surgiu como um corpo estranho.

Além disso, era forte demais para ser ignorado e completo demais para ser rotulado.


Método antes do improviso

Quem acompanhou Marco Ruas competir sabe: não havia improviso, havia método. Seu preparo físico estava em um nível que o Brasil ainda não conhecia. Da mesma forma, sua leitura de luta parecia avançada demais para aquela época.

Ele chutava como um striker, projetava como um wrestler e finalizava como um grappler experiente. Tudo isso quando o termo “MMA” sequer fazia parte do vocabulário popular.


O preço de ser pioneiro

Ser pioneiro, naquele contexto, custava caro. Faltava estrutura, reconhecimento e mercado. Ainda assim, sobrava coragem. E nisso Marco Ruas foi exemplar.

Ao longo da carreira, enfrentou adversários maiores, estilos completamente distintos, regras pouco claras e um cenário internacional que ainda não olhava para o Brasil com o respeito que viria depois.


Um legado que não cabe em estatísticas

Por esse motivo, sua grandeza nem sempre pode ser medida por cinturões ou números frios. Marco Ruas é gigante pelo impacto silencioso que deixou.

Ele abriu portas que outros atravessaram. Inspirou gerações que, muitas vezes, sequer sabem que os fundamentos do MMA moderno passaram, antes, pelo corpo e pela mente dele.


Um atleta fora de época

Como colunista da RTI Esporte, faço questão de registrar: Marco Ruas foi um atleta fora de época. Um lutador que nasceu antes do tempo certo, mas que ajudou a construir esse tempo.

Hoje, quando falamos em lutador completo, preparo físico integrado e versatilidade dentro do cage ou do ringue, falamos — ainda que indiretamente — do caminho que ele abriu.

Marco Ruas não pertence apenas à história das lutas. Ele pertence à história da evolução do esporte.

Foto: Marcelo Alonso

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