Antes de mais nada, o Vasco cumpriu sua obrigação em São Januário, venceu o Barracas Central por 3 a 0 nesta quarta-feira, 27, e assegurou vaga nos playoffs da Copa Sul-Americana. O resultado trouxe alívio momentâneo ao ambiente cruz-maltino após dias de forte pressão.
No entanto, Renato Gaúcho deixou claro que o clima interno ainda está longe da tranquilidade. Apesar da classficação, as perguntas direcionadas ao técnico tiveram como foco e a crescente insatisfação da torcida vascaína com o desempenho da equipe no Campeonato Brasileiro.
“Coisa que nunca fui e nem vou ser é covarde. Bem pelo contrário. Se eu fosse covarde, nem teria vindo para o Vasco. Que fique bem esclarecido. Pode ter certeza que sou sujeito homem em todos os aspectos e situações”, disse o treinador antes de prosseguir:
“Não é por que deixei lá, estou com coisa na garganta, abaixo de remédio. Hoje mesmo estão vendo como estou. Hoje ganhando de 3 a 0, o Gabeira (Alexandre Mendes) foi para beira do campo para eu poupar a garganta e o médico me deu remédio.”
A declaração sintetizou o ambiente vivido pelo treinador nas últimas semanas. As atuações irregulares da equipe, principalmente no Brasileirão, aumentaram a pressão externa e fizeram crescer os questionamentos sobre o trabalho desenvolvido pela comissão técnica.
“Poderíamos hoje estar classificados em primeiro lugar na Sul-Americana com 12, 13, 14, 15 pontos no Brasileiro. Aí seria o contrário: “por que não deixou a Sul-Americana de lado e pensou no Brasileiro?”. Não dá para agradar todo mundo”, justificou antes de prosseguir:
“Jogamos no final de semana contra o Bragantino (aqui), hoje e o de domingo. Hoje era uma decisão, porque poderíamos ficar fora. E se ganhasse, poderia ficar com o primeiro lugar. Importante foi avançar para a próxima fase. Ah, tem mais dois jogos. Faz parte.”
Vitória ameniza pressão, mas não elimina desgaste
O triunfo sobre o Barracas Central, da Argentina, teve peso importante não apenas pela classificação continental, mas também pela necessidade urgente de resposta após a derrota para o Red Bull Bragantino.
No último fim de semana, São Januário viveu um ambiente extremamente tenso. Durante o revés pela Série A do Campeonato Brasileiro, parte da torcida direcionou vaias e protestos diretamente a Renato Gaúcho.
Em determinado momento da partida, o treinador permaneceu sentado no banco de reservas enquanto um auxiliar comandava as orientações na área técnica. A ausência do treinador na entrevista coletiva após aquela derrota também gerou repercussão.
Internamente, o clube justificou que Renato Gaúcho estava sem condições de falar com a imprensa. A situação, porém, aumentou especulações sobre um possível desgaste definitivo na relação entre treinador e torcida.
Renato Gaúcho rebate rumores sobre demissão
Nesta quarta-feira, Renato Gaúcho tentou encerrar qualquer dúvida sobre sua permanência. Em tom provocativo e bem-humorado, respondeu de forma curta quando questionado sobre a possibilidade de deixar o Vasco.
“Aumentou meu tesão. Boa noite”, finalizou.
