Martinelli ganha a chance de Ancelotti: os números que explicam a convocação do volante do Fluminense

Aos 24 anos, Martinelli estreia na Seleção Brasileira depois de uma temporada sólida pelo Fluminense. Os números mostram um meio-campista que pode oferecer controle, qualidade no passe e versatilidade a Carlo Ancelotti.

A convocação de Matheus Martinelli para a Seleção Brasileira não estava no roteiro inicial. O volante do Fluminense foi chamado por Carlo Ancelotti para substituir João Pedro, do Chelsea, que acabou cortado por lesão. Ainda assim, a oportunidade chega em um momento em que o jogador vinha apresentando números consistentes e, principalmente, características que podem ser úteis ao treinador italiano.

Martinelli fará sua estreia na Seleção principal nos amistosos contra Austrália e Índia, em uma Data Fifa que Ancelotti pretende aproveitar também para observar novos nomes pensando no próximo ciclo.

Um volante que joga e faz jogar

O primeiro dado que chama atenção está no passe.

Segundo o FotMob, Martinelli tem 91,7% de acerto nos passes no Brasileirão de 2026, com 1.105 passes certos em 1.550 minutos. A plataforma registra ainda 64,2 passes certos por 90 minutos, duas assistências e 17 chances criadas.

Não é apenas um jogador que recebe a bola e dá continuidade à jogada. Martinelli costuma baixar para perto dos zagueiros, oferecer uma linha de passe e ajudar a equipe a escapar da primeira pressão. No Fluminense, também já atuou alguns metros mais à frente, o que explica a possibilidade de funcionar como primeiro ou segundo volante. Essa versatilidade é uma das características que o colocaram no radar da comissão técnica brasileira.

Os números defensivos também explicam a escolha

O meio-campista não vive apenas da bola nos pés.

Ainda de acordo com o FotMob, Martinelli soma 24 desarmes, 20 interceptações e 81 recuperações de posse no Brasileirão. Também venceu 60 dos 118 duelos disputados, além de registrar 27 faltas cometidas.

Já o Sporting Life aponta 6,85 duelos disputados por 90 minutos, 4,7 recuperações e 1,16 interceptações por partida na temporada, números que ajudam a desenhar um jogador participativo também sem a bola.

É justamente essa combinação que pode interessar a Ancelotti: um volante capaz de participar da construção sem deixar de cumprir funções defensivas.

Uma temporada de regularidade

Os números globais também mostram o peso que Martinelli tem no Fluminense.

Martinelli contabiliza 37 partidas em 2026, somando Campeonato Carioca, Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores, com 2.919 minutos, um gol e quatro assistências. No recorte de Brasileirão e Libertadores, o médio registra 25 partidas, 2.085 minutos e três assistências.

O próprio Sofascore apresenta Martinelli com índice de 6,9 nos últimos 12 meses, além de destacar sua presença regular no Fluminense.

Não são números de um meio-campista que vive de aparecer na área. São números de alguém que influencia o jogo de outra maneira.

O que ele pode acrescentar ao Brasil?

Talvez essa seja a parte mais interessante.

Martinelli chega a uma Seleção que conta com Bruno Guimarães, Douglas Luiz, Andrey Santos, Breno Bidon e Danilo Santos entre os meio-campistas convocados. Ou seja, não chega para ocupar automaticamente uma posição. Chega para apresentar uma alternativa.

Sua capacidade de jogar como primeiro ou segundo volante, a segurança no passe e a experiência acumulada no Fluminense podem oferecer a Ancelotti uma peça diferente para controlar o ritmo das partidas.

E existe outro detalhe: Martinelli já soma mais de 300 jogos pelo Fluminense. Não é uma aposta baseada apenas em potencial. É um jogador formado no clube, consolidado no futebol brasileiro e agora colocado diante do maior desafio da carreira.

A convocação chegou por uma circunstância inesperada. A oportunidade, porém, encontra um Martinelli preparado pelos números e pela experiência para mostrar que pode ser mais do que um substituto de ocasião.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

Raio X da Espanha: o que o Brasil vai encontrar nas quartas do Mundial Sub-20

O Brasil já sabe quem terá pela frente nas quartas de final da Copa do Mundo Feminina Sub-20. E o adversário chega com credenciais pesadas.

A Espanha venceu Portugal por 2 a 0 nas oitavas e garantiu a classificação para a próxima fase, mantendo o aproveitamento perfeito na competição. Antes disso, a equipe comandada por David Aznar havia vencido Nigéria, Nova Caledônia e China, terminando a fase de grupos com 16 gols marcados e apenas um sofrido. Nos oitavos, voltou a vencer, sem sofrer gols.

O encontro com o Brasil está marcado para sábado, dia 19, às 18h30 locais, na Arena Sosnowiec. Será um duelo entre duas seleções ainda invictas.

Uma Espanha que gosta de mandar no jogo

A principal característica da Espanha está bastante clara: ela quer a bola. Na fase de grupos, a seleção teve 71% de posse média, liderou o torneio em passes, com 1.291, completou 1.158 deles e apresentou 90% de precisão. Também foi a equipe que mais finalizou, com 113 chutes, sendo 53 no alvo.

Não se trata, portanto, apenas de trocar passes. A Espanha utiliza a posse para avançar, aproximar as jogadoras e criar situações de um contra um. A circulação rápida também permite que as atacantes apareçam em diferentes zonas do campo.

Foi assim que construiu uma campanha ofensivamente devastadora. Contra a Nova Caledônia, aplicou 11 a 0, igualando a maior goleada da história do Mundial Sub-20. Contra a China, venceu por 3 a 1, num jogo em que o adversário conseguiu incomodá-la principalmente atacando o espaço nas costas da defesa. E esse segundo ponto é interessante para o Brasil.

Paula Comendador é uma das grandes ameaças

Se existe um nome que merece atenção especial, é Paula Comendador. A atacante do Real Madrid marcou quatro gols na fase de grupos: dois contra a Nova Caledônia e outros dois diante da China. Mais do que os gols, impressionou pela velocidade, capacidade de desequilíbrio e facilidade para atacar espaços. A FIFA destacou justamente essa evolução em relação ao Mundial Sub-17 de 2024, quando já havia sido uma das principais jogadoras da competição.

Paula não é a única arma. Celia Segura também soma quatro gols e foi responsável por um feito histórico: marcou quatro vezes na goleada sobre a Nova Caledônia. É, segundo a Federação Espanhola, a única jogadora espanhola a conseguir um pôquer em um Mundial Sub-20.

Marisa García, com três gols, também aparece entre as principais goleadoras espanholas. Foi, inclusive, quem abriu o placar contra Portugal logo aos nove minutos. E há ainda Rosalía Domínguez, talvez a jogadora que chega ao confronto em melhor momento individual.

Rosalía chega embalada

A atacante do Barcelona foi eleita MVP contra Portugal, mesmo sem marcar. Rosalía criou desequilíbrios pela esquerda, participou da construção ofensiva e foi responsável pelo cruzamento que acabou desviando em Nair Pina antes de entrar para o segundo gol espanhol.

Foi o segundo prêmio de melhor jogadora de Rosalía no Mundial. O primeiro havia acontecido justamente na estreia, diante da Nigéria. A própria RFEF destaca que a jogadora foi campeã europeia Sub-19 e tem sido uma das principais ameaças ofensivas da equipe.

Ou seja, o Brasil não terá apenas de controlar uma goleadora. Terá pela frente uma seleção capaz de distribuir o protagonismo por várias jogadoras.

Onde o Brasil pode encontrar espaço?

Apesar dos números impressionantes, a Espanha já mostrou que não é intocável. A China foi o exemplo mais claro. Depois de estar perdendo por 3 a 0, conseguiu diminuir e criou uma sequência de oportunidades, inclusive com outra chance clara logo depois do gol. A própria RFEF reconheceu que a equipe passou por cerca de dez minutos de pressão antes de recuperar o controle.

Isso sugere um possível caminho para o Brasil: atacar rapidamente os espaços quando recuperar a bola, especialmente nas costas das laterais e antes que a Espanha consiga reorganizar a sua estrutura de posse. Outra questão será a capacidade brasileira de suportar os momentos sem bola.

Porque este provavelmente será um jogo em que a Espanha tentará impor seu ritmo, circular a bola e empurrar o Brasil para trás.

Um duelo que promete muito

O curioso é que Brasil e Espanha chegam com campanhas bastante diferentes nos detalhes, mas igualmente fortes. O Brasil venceu Tanzânia, Canadá e Inglaterra na fase de grupos, com nove gols marcados e dois sofridos, antes de eliminar os Estados Unidos nos pênaltis, após empate por 1 a 1. A Espanha tem 18 gols marcados e três? Não: apenas um sofrido na fase de grupos e nenhum nos oitavos, totalizando 18 marcados e um sofrido em quatro partidas.

Existe ainda um único confronto entre as seleções na história do Mundial Sub-20: foi em 2022, na fase de grupos, e terminou 0 a 0. A Espanha acabaria campeã naquela edição. Agora, quatro anos depois, o contexto é completamente diferente.

De um lado, um Brasil que sobreviveu a um duelo duro contra os Estados Unidos e chega às quartas com confiança. Do outro, uma Espanha que vem atropelando adversários, controla a bola como poucas equipes no torneio e tem várias jogadoras capazes de decidir individualmente. Para o Brasil avançar, provavelmente não bastará jogar bem.

Será preciso encontrar uma maneira de tirar a Espanha da zona de conforto, sobreviver à sua pressão com bola e, principalmente, não permitir que Paula Comendador, Celia Segura e Rosalía Domínguez recebam espaço para correr. É, sem dúvida, um dos grandes jogos dos quartos de final.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

Yamal já é lenda? Os números aos 19 anos explicam a comparação com Pelé

Lamine Yamal tem apenas 19 anos, mas já não pode ser tratado apenas como uma promessa. O espanhol entrou definitivamente em outro território. Os números divulgados pela página Score 90, comparando jogadores na mesma idade, mostram um fenômeno que ajuda a explicar por que Yamal já é colocado ao lado de nomes como Pelé, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.

E há um detalhe ainda mais impressionante: a discussão não acontece apenas pelo talento. Yamal já tem 190 jogos, 63 gols e 67 assistências na carreira profissional, além de uma coleção de títulos que inclui Eurocopa e Copa do Mundo. Aos 19 anos, o jogador do Barcelona já ganhou oito troféus, segundo o levantamento apresentado pela Score 90. Não é normal.

Pelé continua sendo o parâmetro mais absurdo

Se existe alguém capaz de fazer Yamal parecer “normal” nesta comparação, é justamente Pelé. O Rei aparece no levantamento da Score 90 com impressionantes 183 gols em 149 jogos aos 19 anos. É um número de outra dimensão e ajuda a entender por que Pelé continua sendo uma referência quase impossível de reproduzir.

E há uma diferença histórica importante. Pelé ganhou a Copa do Mundo de 1958 com apenas 17 anos e 249 dias, permanecendo até hoje como o jogador mais jovem a conquistar o Mundial. Yamal também já colocou a mão no troféu mais importante do futebol. Em 2026, aos 19 anos, foi campeão mundial com a Espanha.

É justamente aí que a comparação começa a ficar interessante. O próprio Yamal reconheceu recentemente que Pelé é uma exceção histórica. «Houve o Pelé, mas nos tempos recentes… nunca, penso eu», afirmou, ao falar sobre a quantidade de títulos conquistados tão cedo.

Yamal contra os outros astros

A comparação da Score 90 também coloca Yamal diante de outros jogadores que chegaram muito cedo ao topo. Kylian Mbappé, aos 19 anos, tinha 56 gols e 39 assistências em 86 jogos. Ronaldo Fenômeno apresentava números impressionantes: 78 gols e 15 assistências em 92 partidas. Já Cristiano Ronaldo tinha 13 gols e 13 assistências em 84 jogos, enquanto Lionel Messi somava 11 gols e seis assistências em 44 partidas.

Aqui aparece uma das particularidades de Yamal. Ele não é o maior goleador desse grupo aos 19 anos. Pelé e Ronaldo Nazário, principalmente, apresentam números de gols superiores. Mas nenhum deles combina exatamente o mesmo volume de partidas, gols, assistências e títulos que o espanhol acumulou tão cedo.

Levantamentos estatísticos independentes também colocam Yamal muito acima dos números de Messi e Cristiano Ronaldo na mesma idade, embora seja necessário lembrar que as trajetórias, posições e contextos competitivos foram diferentes.

O que torna Yamal diferente?

Talvez seja justamente a precocidade. Yamal estreou pela equipe principal do Barcelona aos 15 anos e, desde então, passou de promessa a protagonista sem praticamente conhecer uma fase de adaptação. Atualmente, soma 190 jogos profissionais, 63 gols e 67 assistências no levantamento da Score 90.

E não está apenas acumulando estatísticas. Já ganhou três LaLiga, duas Supercopas da Espanha, uma Copa do Rei, uma Eurocopa e uma Copa do Mundo.

A conquista do Mundial tornou a comparação ainda mais pesada. Aos 19 anos, Yamal já tem no currículo um título que Messi precisou esperar até os 35 anos para conquistar.

Isso não significa que o espanhol esteja perto de igualar Messi ou Cristiano Ronaldo em legado. Essa é uma discussão que só poderá existir depois de muitos anos. Messi e Cristiano construíram duas décadas de domínio, números gigantescos e uma regularidade que ainda representa o verdadeiro desafio para Yamal. Mas o início da história já é extraordinário.

O próximo dono do futebol mundial?

É aqui que a discussão fica inevitável. Messi e Cristiano Ronaldo marcaram uma era como poucos jogadores na história conseguiram fazer. Durante quase duas décadas, praticamente toda discussão sobre o melhor jogador do mundo passou por um dos dois.

Agora, uma nova geração começa a aparecer. Mbappé já está estabelecido. Haaland também. Mas Yamal possui algo que o diferencia: aos 19 anos, já carrega uma trajetória que permite comparações diretas com os maiores fenômenos precoces que o futebol conheceu.

E ele próprio parece saber disso. «Tenho mil coisas para fazer para entrar na história do futebol», disse recentemente Yamal. Talvez essa seja a melhor forma de olhar para o espanhol.

Yamal ainda não é Messi. Ainda não é Cristiano. E certamente não é Pelé. Mas aos 19 anos, já deixou de ser apenas o garoto que pode chegar lá. Ele já chegou a um lugar reservado a muito poucos. E, se conseguir manter o ritmo, poderá ser justamente o jogador escolhido para assumir o futebol mundial quando a era Messi-Cristiano chegar definitivamente ao fim.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

O que aconteceu com Prestianni após o caso Vinícius Júnior? Veja

Poucos meses atrás, Gianluca Prestianni estava no centro de uma das maiores polêmicas do futebol europeu. Hoje, o argentino é uma das grandes figuras do Benfica, coleciona gols e assistências e aparece entre os jovens mais valorizados do futebol mundial.

Aos 20 anos, o atacante parece ter encontrado a melhor resposta possível: jogar futebol. Há momentos que podem definir uma carreira. Para Gianluca Prestianni, 2026 parecia caminhar justamente para isso, mas pelo pior motivo possível.

Em fevereiro, por exemplo, o argentino protagonizou um episódio com Vinícius Júnior durante Benfica x Real Madrid, pela Champions League. O brasileiro acusou Prestianni de insulto racista, o jogo foi interrompido por cerca de 11 minutos e o caso ganhou repercussão mundial.

A UEFA não classificou o episódio como racismo. Prestianni recebeu seis jogos de suspensão por conduta discriminatória de caráter homofóbico, três deles com pena suspensa. A FIFA ampliou a punição para competições internacionais de seleções, com impacto direto em sua carreira.

O episódio que mudou tudo

A suspensão acabou atingindo justamente o sonho que qualquer jogador argentino de 20 anos gostaria de viver: a Copa do Mundo. Caso fosse convocado por Lionel Scaloni, Prestianni teria de cumprir a suspensão nos dois primeiros jogos da Argentina no Mundial.

A suspensão, somada ao espaço reduzido na seleção argentina, pesou para sua ausência na Copa. O atleta acabou fora do torneio e viu sua trajetória sofrer uma interrupção justamente quando era tratado como uma das principais promessas de sua geração. A partir dali, precisou reconstruir seu caminho.

A resposta veio dentro de campo

Prestianni não respondeu com entrevistas intermináveis. Respondeu jogando. A temporada 2026/27 começou com uma versão completamente diferente do atacante. Mais agressivo, mais participativo e muito mais decisivo, o argentino passou a aparecer constantemente nas ações ofensivas do Benfica.

Em 10 partidas nesta temporada, já soma oito gols e duas assistências. Nos últimos cinco jogos, entre Liga Portugal e qualificatórias da Europa League, o atacante totalizou cinco golos e uma assistência mostrando o quão importante é para o técnico Marco Silva.

É exatamente o tipo de resposta que o futebol permite. Desse modo, a torcida do Benfica apoiou o jovem quando ele mais precisou e, agora, a retribuição veio em gols, belas jogadas, assistências e números decisivos.

De promessa a protagonista

Prestianni chegou ao Benfica ainda adolescente, depois de aparecer muito cedo no Vélez Sarsfield. Estreou profissionalmente aos 16 anos e foi vendido ao clube português por cerca de 9 milhões de euros, mais dois milhões em bônus.

No início da passagem por Portugal, entretanto, o desenvolvimento não aconteceu na velocidade esperada. Na temporada passada, foram 41 partidas, mas apenas três gols pelo Benfica. O argentino ainda procurava espaço e consistência.

Agora, a história é outra. Prestianni parece ter recuperado espaço e confiança para jogar de acordo com o talento que o colocou entre as promessas argentinas. O atacante também pode voltar ao radar da seleção argentina, agora sem o lendário Lionel Messi.

CIES também colocou os olhos nele

O reconhecimento vai além dos torcedores do Benfica. Prestianni já apareceu em estudos do CIES Football Observatory entre os jovens mais valorizados do mundo. Em levantamento anterior, o argentino foi avaliado em 14,4 milhões de euros entre os Sub-21 mais valiosos.

Mais recentemente, outros levantamentos que acompanham o desempenho e o potencial dos jovens também o colocam entre os nomes de destaque da nova geração. Isso ajuda a explicar por que o Benfica continua tratando Prestianni como um ativo importante para o futuro.

A melhor resposta possível

O caso com Vini Jr dificilmente será apagado da carreira de Prestianni. Foi uma situação grave, teve consequências esportivas e o tirou da Copa do Mundo. Mas o argentino está conseguindo fazer algo que nem sempre é simples no futebol: não permitir que um episódio defina quem ele é como jogador.

Aos 20 anos, Prestianni ainda tem tempo para construir sua história. Neste momento, porém, a melhor versão dela começa a ser escrita no gramado da Luz. Após um período difícil, o argentino busca se firmar pelo futebol apresentado, com gols, assistências e talento.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

Lionel Messi após a Argentina: veja os números pelo Inter Miami

Lionel Messi disse adeus à Seleção Argentina, mas não ao futebol. Aos 39 anos, o camisa 10 voltou ao Inter Miami depois da Copa do Mundo e acumulou nove gols e cinco assistências em dez partidas, mantendo-se como a grande estrela da equipe e uma das maiores atrações da MLS.

Existe uma diferença importante entre deixar a Seleção e deixar o futebol. Lionel Messi tratou de mostrar isso rapidamente. Depois de disputar apenas a Copa do Mundo pela Argentina e anunciar o fim de sua trajetória internacional, o craque voltou ao Inter Miami e continuou produzindo em um nível absurdo.

Nos dez jogos registrados desde seu retorno, foram 802 minutos, nove gols e cinco assistências. São 14 participações diretas em gols. Uma média de 1,4 por partida. E isso em um período no qual o Inter Miami nem sempre acompanhou o seu principal jogador.

Messi continua sendo Messi

O recorte é impressionante justamente porque os resultados coletivos não foram perfeitos. Desde o retorno, o Inter Miami acumulou apenas duas vitórias, três derrotas e cinco empates nas dez partidas consideradas. Mesmo assim, Messi apareceu constantemente.

Foram dois gols e uma assistência contra o Atlético San Luis, quatro gols e uma assistência na goleada por 7 a 1 sobre o Montreal, além de gols contra Toronto, Philadelphia e Nashville. E o último deles talvez seja o melhor retrato do momento.

Diante do Nashville, Lionel Messi recebeu de Rodrigo De Paul na entrada da área e bateu de primeira, com a canhota, no canto. Um golaço aos 62 minutos. O problema é que o Inter Miami sofreu o empate nos acréscimos e ficou no 2 a 2. O resultado escapou. Messi, mais uma vez, não.

A despedida que não diminuiu o craque

Em 31 de agosto, Lionel Messi anunciou que não defenderia mais a Argentina. A decisão encerrou uma história de 21 anos pela seleção, coroada pelo título mundial de 2022 e por uma segunda final de Copa consecutiva em 2026. A despedida poderia representar uma mudança de ritmo. Não representou.

Poucos dias depois, Lionel Messi voltou ao Inter Miami e manteve o protagonismo. Contra o Nashville, chegou a 19 gols na temporada regular da MLS e a 99 pelo clube em todas as competições, ficando a um do centésimo.

E os brasileiros estão por perto

A passagem de Messi pelo futebol norte-americano também ganhou um forte componente brasileiro. O Inter Miami conta atualmente com Micael Silva, zagueiro emprestado pelo Palmeiras, Casemiro, contratado em julho, e Riquelme Fillipi, ponta de 19 anos que também chegou do Palmeiras.

Micael Silva, de 25 anos, chegou para a reta final da MLS, enquanto Casemiro ganhou espaço rapidamente. Já Riquelme Fillipi, de 19, é aposta de longo prazo e assinou até 2029/2030. Os três brasileiros dividem o elenco com Lionel Messi.

O tempo passa. Messi prevalece

O tempo passa. Messi, não tanto. Aos 39 anos, Messi já não precisa provar absolutamente nada. Mas continua provando. Mesmo depois de abandonar a Argentina, mesmo depois de uma Copa do Mundo que marcou o fim de sua trajetória internacional, ele segue sendo o grande jogador do Inter Miami.

E os números explicam por quê. Nove gols, cinco assistências e 14 participações diretas em gols em dez jogos desde o retorno. A Argentina perdeu o seu camisa 10. A MLS ainda não. E, pelo que Messi continua fazendo, ninguém parece ter pressa para que isso aconteça.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

Janaina Weimer brilha no Torreense: é hora da Seleção Brasileira?

Aos 26 anos, Janaina Weimer vive um de seus melhores momentos em Portugal. Com cinco gols no início da temporada 2026/27, a atacante tem sido decisiva pelo Torreense e começa a chamar atenção pelo desempenho.

Janaina Weimer não precisa de uma apresentação no futebol feminino português. A atacante brasileira chegou ao Torreense em 2023 e, desde então, transformou-se numa das principais referências ofensivas do clube de Torres Vedras.

Agora, aos 26 anos, parece estar vivendo uma nova fase. O início de 2026/27 é particularmente forte. Janaina já marcou cinco gols em cinco partidas oficiais, somando um gol no campeonato português e quatro nas competições europeias.

Na estreia do Torreense na UEFA Women’s Europa Cup, marcou duas vezes na vitória por 3 a 1 sobre o Kolos Kovalivka, depois de já ter participado do triunfo por 6 a 1 na primeira mão. É um começo que merece atenção.

A evolução dos gols em Portugal

A trajetória de Janaina Weimer também mostra crescimento. Na Liga portuguesa, marcou 12 gols em 20 jogos em 2024/25, sua primeira grande temporada de afirmação no Torreense. Terminou entre as principais goleadoras da competição e foi a melhor marcadora da equipe.

Na temporada seguinte, mesmo com o Torreense novamente enfrentando adversárias de alto nível, fez sete gols em 16 partidas no campeonato. A equipe terminou em terceiro lugar, garantindo uma histórica classificação para as competições europeias.

Agora, começou a nova temporada em ritmo ainda mais agressivo. E existe um detalhe importante: Janaina Weimer não está apenas marcando contra adversários de menor expressão. Os gols europeus vieram justamente quando o Torreense precisava confirmar sua presença na próxima fase continental.

Janaina Weimer também faz parte da ascensão do Torreense

O crescimento de Janaina Weimer acompanha a evolução do Torreense. Em 2024/2025, o clube alcançou sua melhor campanha no campeonato português e conquistou a Taça de Portugal. Na final contra o Benfica, vencida por 2 a 1, a brasileira marcou aos 90’+6 e levou o jogo à prorrogação.

Poucos meses depois, veio outro golpe histórico. Na Supertaça, o Torreense voltou a derrotar o Benfica, desta vez por 2 a 1. A equipe de Torres Vedras repetiu o triunfo sobre as então pentacampeãs nacionais e conquistou mais um troféu inédito.

Na temporada 2025/2026, ainda veio a Taça da Liga, completando um período de enorme crescimento competitivo do clube. O Torreense terminou novamente no pódio e chegou pela primeira vez às competições europeias.

E a Seleção Brasileira?

É aqui que Janaína entra em uma discussão interessante. Não se trata de dizer que ela deveria ser convocada imediatamente. A Seleção Brasileira tem um elenco extremamente competitivo e várias atacantes atuando em grandes ligas.

Mas observar é outra coisa. Janaina tem 26 anos, experiência internacional de clubes, regularidade em Portugal e, principalmente, vem sendo protagonista em uma equipe que deixou de ser coadjuvante para enfrentar Benfica e Sporting de igual para igual.

Além disso, já demonstrou capacidade de aparecer nos grandes momentos. O gol que levou a final da Taça de Portugal para a prorrogação contra o Benfica é um exemplo perfeito. Agora, com cinco gols em cinco jogos na temporada e protagonismo também no futebol europeu, o nome volta a ganhar força.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

Raphinha vive grande fase no Barcelona; e na Seleção? Entenda

Raphinha não poderia ter imaginado um início melhor de temporada. Em cinco partidas oficiais pelo Barcelona, o brasileiro marcou oito gols e fez uma assistência deixando, precisamente, a sua marca em todos os jogos.

O último capítulo foi justamente na estreia da Champions League, com dois gols na goleada por 5 a 1 sobre o Feyenoord. O momento ganhou contornos históricos. Raphinha tornou-se o primeiro jogador do Barcelona desde a década de 1950 a marcar nas cinco primeiras partidas oficiais de uma temporada.

Nem Lionel Messi conseguiu alcançar a marca. Mais do que isso, o brasileiro assumiu uma função diferente. Com o Barcelona sem um centroavante de referência, Raphinha vem atuando por dentro, praticamente como um camisa 9. E a resposta foi imediata: oito gols e uma assistência em cinco partidas.

Não sobram adjetivos para um Raphinha cada vez mais decisivo

A transformação não começou agora. Nas duas últimas temporadas, o brasileiro já havia terminado como um dos grandes protagonistas do Barcelona. Agora, porém, aparece ainda mais próximo do gol e lidera uma equipe que marcou 22 vezes nos cinco primeiros compromissos da temporada.

Na Champions, Raphinha também ganhou destaque histórico. Com os dois gols contra o Feyenoord, chegou a 21 pelo Barcelona na competição e igualou Neymar como quinto maior artilheiro do clube, atrás de Lionel Messi, Luís Suárez, Robert Lewandowski e Rivaldo.

O problema aparece quando veste amarelo

E é justamente aí que está a contradição. Raphinha é um astro do Barcelona, mas ainda não conseguiu construir a mesma autoridade com a Seleção Brasileira. O balanço geral é respeitável: 40 jogos, 11 gols e oito assistências desde a estreia, em 2021.

Porém, nada próximo, aos números astronómicos que tem no time Blaugrana: 83 gols e 53 assistências em 182 jogos. O problema é que os números não contam toda a história. Nos últimos compromissos, Raphinha não conseguiu reproduzir pela Amarelinha o futebol apresentado no Barcelona.

Na Copa do Mundo de 2026, Raphinha disputou apenas dois jogos antes de sofrer uma lesão. A ausência interrompeu a sequência justamente quando buscava se firmar como uma das referências ofensivas do Brasil no Mundial.

Raphinha ainda não é unanimidade entre os torcedores brasileiros. A cobrança aumenta diante da diferença entre o desempenho no clube espanhol e o que consegue apresentar quando está à serviço da Seleção Brasileira.

Carlo Ancelotti ainda acredita no atacante

Mesmo assim, Carlo Ancelotti manteve Raphinha nos planos. Na primeira convocação após a Copa do Mundo, o atacante voltou a ser chamado. Aos 29 anos, segue em alto nível no Barcelona, um dos maiores clubes do mundo.

Ancelotti não precisa olhar apenas para aquilo que Raphinha fez pela Seleção Brasileira. O italiano também observa aquilo que o atacante está fazendo semanalmente no Barcelona. E, neste momento, é difícil ignorar.

O relógio começa a correr

Mesmo assim, Carlo Ancelotti manteve Raphinha nos planos. Na primeira convocação após a Copa, o atacante voltou a ser chamado. Aos 29 anos, segue em alto nível no Barcelona, um dos maiores clubes do mundo.

A próxima Copa do Mundo será em 2030, quando Raphinha terá 33 anos. O novo ciclo pode, portanto, representar uma das últimas oportunidades para o atacante se firmar como protagonista da seleção brasileira.

Não basta mais apresentar números extraordinários no Barcelona. Raphinha precisa transportar parte desse desempenho para a Amarelinha. Os próximos compromissos, portanto, ganham um peso diferente.

Raphinha já não precisa provar que é craque. O Barcelona mostrou isso. O que resta provar é se ele consegue ser o mesmo jogador quando veste amarelo. E, aos 29 anos, o tempo para responder começa a ficar cada vez menor.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

Saiba quem é a joia de 16 anos do Lens que brilha na Champions

Poucos jogadores chegam ao futebol profissional aos 16 anos e conseguem causar impacto imediatamente. Mezian Mesloub Soares é uma dessas exceções e tem criado a sua história no futebol em poucos mas grandes momentos de glória.

O jovem meio-campista do Lens estreou na Champions League nesta quinta-feira e, nos acréscimos, cruzou para Florian Thauvin marcar o gol que iniciou a reação do time francês na vitória por 3 a 2 sobre o Slavia Praga.

O lance aconteceu aos 90’+1, quando Mezian Soares colocou a bola na cabeça de Thauvin para empatar a partida. Dois minutos depois, Ruben Aguilar marcou o gol da virada. O Lens, portanto, começou sua campanha europeia com uma vitória histórica fora de casa.

Cinco segundos para entrar na história

Se a estreia na Champions já seria suficiente para apresentar Mezian Soares ao grande público, seu primeiro jogo profissional havia sido ainda mais impressionante. Em maio, contra o Nantes, o então garoto de 16 anos entrou aos 78 minutos.

Cinco segundos depois, recebeu, dominou e finalizou de canhota para dar ao Lens a vitória por 1 a 0 e a classificação à Champions League. O gol colocou o jovem entre os dez mais novos a marcar na história da Ligue 1 e foi o mais rápido de um jogador saindo do banco desde 2006/07, segundo a Opta.

Quem é Mezian Soares?

Nascido em Martigues, na França, em 8 de novembro de 2009, Mezian atua principalmente como meio-campista central, mas também pode jogar mais adiantado. Canhoto, ele foi formado inicialmente pelo Lorient e chegou ao Lens ainda em 2018, percorrendo praticamente toda a formação no clube.

O sobrenome também chama atenção: Mezian Soares é filho de Walid Mesloub, ex-jogador que passou por Lorient e Lens e defendeu a Argélia. O jovem, porém, escolheu Portugal nas categorias de base, e a federação portuguesa acompanha de perto seu potencial.

Pela seleção portuguesa, Mezian Soares já soma nove partidas entre os sub-16 e sub-17, com dois gols. Com a camisa da “equipe das “quinas, o meia registra seis jogos e um gol no sub-17, além de três partidas e outro gol no sub-16.

Benfica e PSV já ficaram de olho

A explosão de Mezian Soares não passou despercebida pelo mercado. Depois do impacto na Ligue 1, o Benfica apresentou uma proposta pelo jogador, enquanto o PSV Eindhoven também demonstrou interesse.

O Lens, porém, conseguiu convencer o jovem a permanecer. Mezian Soares assinou seu primeiro contrato profissional com o clube francês, que enxergou nele um projeto de longo prazo. Na pré-temporada, inclusive, chegou a marcar duas vezes contra o Boulogne-sur-Mer.

França ou Portugal?

Existe ainda uma história para acompanhar. Mezian Soares nasceu na França, possui ligação familiar com Portugal e Argélia e já escolheu Portugal nas seleções de base. Por isso, uma eventual disputa futura entre França e Portugal pela joia é uma possibilidade que naturalmente entra no radar.

Por enquanto, Mezian Soares tem uma missão clara: ganhar espaço no Lens. Aos 16 anos, já marcou na estreia na Ligue 1 e deu assistência em seu primeiro jogo na Champions. O jovem ainda está no início da carreira, mas já chama atenção na Europa.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

Como Hakim Ziyech pode jogar no Botafogo? Veja as opções

Hakim Ziyech chega ao Botafogo como uma alternativa de qualidade para o setor ofensivo. O marroquino tem como uma de suas principais características a capacidade de atuar pela direita, mas também pode ocupar uma posição mais central, aproximando-se dos atacantes.

A tendência é que o jogador não seja utilizado imediatamente como titular absoluto. O atacante marroquino está há cerca de três meses sem disputar uma partida oficial e precisará de um período para recuperar ritmo e condição física.

Por isso, o técnico Rodrigo Bellãp pode utilizar o marroquino de maneira gradual. Entradas durante as partidas podem ser importantes inicialmente, antes de uma utilização mais frequente entre os titulares do Glorioso.

Marroquino teve queda de rendimento nos últimos anos

A chegada ao futebol brasileiro acontece depois de um período em que Hakim Ziyech esteve distante do nível apresentado em seu melhor momento. O jogador ganhou destaque mundial no Ajax, principalmente pela capacidade de criação, pelo drible e pela qualidade no último passe.

A passagem pelo clube holandês levou o marroquino ao Chelsea, onde fez parte do elenco campeão da Champions League em 2021. No entanto, depois do período na Inglaterra, Hakin Ziyech não conseguiu manter a mesma regularidade.

Galatasaray, Al-Duhail e Wydad Casablanca fizeram parte de uma trajetória de altos e baixos. Aos 33 anos, Hakim Ziyech exige cautela na utilização, mas ainda oferece características que podem ser úteis ao Botafogo.

Wydad mostrou sinais de recuperação

Apesar da queda de produção nos últimos anos, Hakim Ziyech apresentou sinais positivos durante sua passagem mais recente pelo Wydad Casablanca. Na Liga Marroquina, o meia-atacante apareceu entre os principais jogadores da competição em diferentes estatísticas.

De acordo com os dados divulgados pelo Sofascore, terminou entre os líderes em nota, gols, dribles certos, grandes chances criadas e passes decisivos. O marroquino foi apontado como o jogador de maior nota da competição, com 7,88, além de liderar em gols, com oito, e em dribles certos, com 41.

Também aparece no topo em grandes chances criadas, com duas, e em segundo lugar nos passes decisivos, com 21. Os números não apagam o período de menor rendimento, mas mostram que Ziyech ainda conseguiu produzir quando encontrou sequência no futebol marroquino.

Experiência pode pesar na reta final

Hakim Ziyech tem experiência em grandes competições e já esteve em equipes acostumadas a disputar títulos. Além da conquista da Champions League pelo Chelsea, o jogador também viveu seu auge técnico no Ajax e teve papel importante na seleção do Marrocos. No Botafogo, a missão será diferente.

O clube precisa aproveitar os últimos meses da temporada e terá no marroquino uma alternativa para aumentar a qualidade do setor ofensivo. A bola parada, o passe vertical, a capacidade de jogar entre linhas e o drible podem fazer de Ziyech uma opção diferente para o técnico.

O tempo será um fator importante

O principal ponto de interrogação neste momento é físico. Sem competir há três meses, Ziyech naturalmente precisará de tempo para recuperar o ritmo. Não seria surpresa, portanto, se os primeiros jogos fossem utilizados para aumentar gradualmente a sua minutagem.

A expectativa do Botafogo é que esse processo permita ao marroquino chegar em melhores condições justamente na parte mais importante da temporada. Ziyech não chega ao Botafogo como o jogador que brilhou no Ajax, mas também não chega sem argumentos.

A recuperação apresentada no Marrocos indica que ainda existe capacidade para decidir jogos. Agora, o desafio será transformar esse talento em rendimento no Fogão e ajudar o clube a alcançar vaga na Copa Sul-Americana de 2027.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

Libertadores reforça protagonismo de Bruno Henrique no Flamengo; veja

Bruno Henrique voltou a marcar na Copa Libertadores da América e, mais uma vez, apareceu em um dos grandes palcos da carreira. O atacante fez o primeiro gol do Flamengo na vitória por 2 a 0 sobre o Independiente del Valle, no Equador, pelas quartas de final, e chegou aos cinco gols na edição de 2026.

O número ganha ainda mais peso quando colocado ao lado das duas assistências distribuídas pelo jogador. Em oito partidas e 569 minutos em campo, Bruno Henrique participou diretamente de sete gols do Flamengo na Libertadores. É o artilheiro do time  e aparece entre os principais goleadores do torneio.

Bruno Henrique reencontra o protagonismo na Libertadores

A relação de Bruno Henrique com a Copa Libertadores da América não começou agora. Pelo contrário. O atacante faz parte da geração que marcou uma era no Flamengo e já conquistou a competição três vezes: 2019, 2022 e 2025.

Ao lado de nomes como Giorgian De Arrascaeta, Bruno Henrique se tornou um dos poucos jogadores brasileiros em atividade com três títulos da Libertadores pelo mesmo clube. As três conquistas foram justamente pelo Flamengo. É nesse cenário que os números de 2026 ganham outro significado.

Bruno Henrique não precisa mais carregar sozinho o ataque do Flamengo como em alguns de seus melhores momentos pelo clube. Aos 35 anos, passou a dividir responsabilidades e a ter seus minutos administrados. Ainda assim, quando a Libertadores entra em cena, o atacante continua entregando.

Um rendimento diferente, mas números importantes

O momento atual do atacante precisa ser analisado com alguma perspectiva. Bruno Henrique já não é aquele jogador explosivo que, durante anos, foi uma das principais armas ofensivas do Flamengo. A idade e a própria evolução do elenco mudaram o cenário.

Mas isso não significa que o camisa 27 tenha deixado de ser importante. A chegada de Leonardo Jardim, inclusive, teve impacto direto nesse processo. A própria Conmebol destacou que o treinador português devolveu confiança, minutos e protagonismo ao atacante depois de um período de irregularidade.

Antes da atual Libertadores, Bruno Henrique havia marcado apenas uma vez em 21 partidas nas edições de 2024 e 2025. Em 2026, a resposta foi imediata: marcou na estreia contra o Cusco, na altitude peruana, e voltou a fazer a diferença agora em Quito, outro cenário complicado.

O palco onde Bruno Henrique ainda faz diferença

O gol contra o Independiente del Valle resume um pouco o atual momento do atacante. Bruno Henrique não precisou participar de uma grande quantidade de jogadas para decidir. Acompanhou a movimentação de Jorginho e Samuel Lino, apareceu na área e completou para as redes.

Foi o tipo de lance que explica por que o Flamengo continua apostando nele em jogos importantes. A equipe teve dificuldades no primeiro tempo e terminou a partida com apenas quatro finalizações, contra 18 do adversário.

Ainda assim, venceu por 2 a 0. O Bruno Henrique foi responsável por abrir o caminho para a vitória rubro-negra. E existe uma característica que ajuda a explicar sua permanência entre os protagonistas: a experiência.

Tricampeão da Libertadores pelo Flamengo

Bruno Henrique já sabe exatamente o que significa disputar uma Libertadores pelo Flamengo. Foi decisivo na campanha de 2019, voltou a levantar a taça em 2022 e repetiu o feito em 2025. São três títulos continentais com a camisa rubro-negra.

Por isso, mesmo em uma fase diferente da carreira, sua presença ganha peso principalmente nos momentos decisivos. O Flamengo tem Pedro, Samuel Lino, Gonzalo Plata, De Arrascaeta e outras opções capazes de decidir partidas.

Bruno Henrique, entretanto, oferece algo que não se compra apenas com talento: experiência em jogos grandes e uma história construída justamente na competição que o clube voltou a disputar em sua fase mais aguda.

Aos 35 anos, talvez já não seja razoável esperar o Bruno Henrique de 2019 ou 2020 em todos os jogos. Mas a Libertadores de 2026 mostra que ainda existe uma versão muito competitiva do atacante. E, pelo menos até aqui, essa versão aparece justamente quando o Flamengo mais precisa.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

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