De Kevin Viveros a James Rodríguez: os colombianos que deram certo — ou não

O futebol brasileiro virou, nos últimos anos, uma espécie de segunda casa para jogadores colombianos. Alguns chegam em busca de espaço, outros procuram um mercado capaz de projetar novamente seus nomes, e há ainda aqueles que encontram por aqui o ambiente perfeito para dar o salto na carreira.

Em 2026, o movimento ganhou ainda mais força, com colombianos assumindo protagonismo em diferentes clubes da Série A do Campeonato Brasileiro. Mais do que uma nova geração, o que existe é uma história de encontros. Alguns deram muito certo. Outros ficaram bem longe das expectativas.

Kevin Viveros é o grande exemplo atual

Se existe um nome que simboliza o sucesso colombiano no Brasil em 2026, ele é Kevin Viveros. O atacante do Athletico se transformou no principal goleador do Brasileirão e chegou a 17 gols após 25 rodadas.

Mais do que uma boa fase, o colombiano se tornou peça central na campanha do Furacão, participando de mais da metade dos gols do clube na competição. Kevin Viveros já soma 28 gols pelo Athletico e igualou o equatoriano Guerrón como terceiro maior artilheiro estrangeiro da história do clube.

O desempenho levou o Athletico a recusar propostas superiores a € 18 milhões e buscar a renovação do atacante. No clube, Stiven Mendoza também ganhou espaço: aos 34 anos, soma cinco gols no Brasileirão.

Jhon Arias, Johan Carbonero e Andrés Gómez também com estrela

No Palmeiras, Jhon Arias representa outro caso de adaptação bem-sucedida. Depois de uma passagem pelo futebol inglês, o colombiano voltou ao Brasil e rapidamente se tornou uma das peças importantes do time de Abel Ferreira.

Em 2026, Arias soma oito gols e seis assistências em todas as competições, enquanto no Brasileirão são três gols e quatro assistências. É um jogador que acrescenta velocidade, capacidade de criação e presença ofensiva.

No Internacional, Johan Carbonero também construiu uma trajetória interessante. Contratado em definitivo após o clube exercer a opção de compra junto ao Racing, o atacante renovou até 2029 e segue como uma das principais armas ofensivas do Colorado.

Andrés Gómez também ganhou espaço no Vasco e se tornou uma das referências ofensivas da equipe. Em 2026, marcou gols importantes, incluindo nas duas partidas das quartas de final da Copa do Brasil contra o Vitória, ajudando o clube a chegar à semifinal.

Mas nem todo colombiano encontrou seu lugar

O Brasil também guarda histórias bem diferentes. Miguel Monsalve é um dos exemplos mais recentes. O meia chegou ao Grêmio cercado de expectativa, mas não conseguiu se firmar. Em 2026, disputou apenas 13 partidas, marcou um gol e não deu assistências.

Em agosto, acabou afastado do grupo principal e passou a treinar no CT das categorias de base, enquanto o clube busca uma negociação. Emerson Rodríguez, por exemplo, viveu situação semelhante no Vasco.

Chegou como uma aposta para o setor ofensivo, mas não conseguiu transformar potencial em regularidade e acabou deixando o clube sem atingir o impacto esperado. E há histórias mais antigas que continuam sendo lembradas.

Orlando Berrío chegou ao Flamengo depois de ser campeão da Copa Libertadores da América pelo Atlético Nacional, mas sofreu com lesões e dificuldades para se tornar protagonista. Foram 46 jogos e seis gols pelo clube.

Marlos Moreno, outro destaque daquele Atlético Nacional campeão continental em 2016, também passou pelo Flamengo sem conseguir confirmar o enorme potencial que carregava. O atacante chegou ao Rio emprestado pelo Manchester City, mas nunca conseguiu se firmar.

James Rodríguez, outra estrela que brilhou no Porto, Real Madrid e Bayern Munique, teve a sua oportunidade de um fazer no São Paulo. O camisa 10 não foi, também ele, bem sucedido no time paulista é mais um caso de insucesso: dois gols e quatro assistências em apenas 22 desafios disputados.

O Brasil como oportunidade, não como garantia

É justamente esse contraste que torna a relação entre colombianos e futebol brasileiro tão interessante. O mercado oferece visibilidade, competitividade e, em alguns casos, uma ponte direta para a seleção colombiana.

Em 2026, John Arias, Kevin Viveros, Johan Carbonero e Andrés Gómez mostram a força dos colombianos no Brasil. Mas o sucesso não é garantido: enquanto alguns transformaram o país em vitrine, outros não encontraram espaço para vingar.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

Carlos Vinícius, do Grêmio, pode jogar por Portugal? Veja o que Jorge Jesus pensa

Carlos Vinícius vive boa fase aos 31 anos e voltou a ser cotado entre atacantes que podem despertar interesse de uma seleção. O centroavante do Grêmio tem cidadania portuguesa e, pelas regras da Fifa, pode defender Portugal.

A possibilidade já estava prevista no contrato com o Grêmio, que estabelecia renovação automática caso Carlos Vinícius fosse convocado para a Copa de 2026 pela seleção brasileira ou por Portugal. Agora, o tema volta à pauta em meio à boa fase do atacante.

20 gols e protagonista no Grêmio

Depois de chegar ao Grêmio em 2025 e marcar 12 gols em apenas 14 partidas, Carlos Vinícius elevou ainda mais a produção em 2026. O atacante soma 20 gols em 44 jogos na temporada, sendo dez no Brasileirão, três na Copa do Brasil, dois na Copa Sul-Americana e cinco no Campeonato Gaúcho.

Carlos Vinícius é o principal goleador do Grêmio. Após oito jogos sem marcar, o camisa 95 fez dois gols no Gre-Nal das quartas da Copa do Brasil, na vitória por 3 a 1 sobre o Internacional. Com 20 gols na temporada, está a quatro do recorde de 24 pelo Benfica, em 2019/2020.

E o que Jorge Jesus pensa dele?

Aqui está um dos ingredientes mais curiosos da história. Carlos Vinícius trabalhou com Jorge Jesus no Benfica, mesmo que apenas num momento curto de tempo, e guarda uma relação de respeito pelo treinador português.

Em entrevista recente, o atacante classificou Jesus como “um treinador de ensino, um professor”, destacando justamente a capacidade do técnico de trabalhar os detalhes do jogo. E também contou uma história que ajuda a explicar a personalidade do atual comandante de Portugal.

Durante um treino, Jesus parou a atividade depois de observar uma jogada de Carlos Vinícius. Primeiro, elogiou sua capacidade de jogar de primeira e de tocar rapidamente. Logo depois, porém, durante um exercício de passe, aproximou-se e disparou: “a bola nos teus pés parece um coco”.

A bronca ficou na memória, assim como os elogios. Carlos Vinícius reconhece que não era fácil trabalhar com Jorge Jesus, mas destaca os aprendizados com o português, especialmente em movimentação e aspectos táticos.

Uma história que já tem precedentes

Caso Portugal olhe para Carlos Vinícius, não seria nenhuma novidade histórica recorrer a um jogador nascido no Brasil. Deco, Liedson e Dyego Sousa, por exemplo, já defenderam a seleção portuguesa depois de obterem a cidadania.

Matheus Nunes, nascido no Rio de Janeiro, também defende Portugal e soma 21 jogos pela seleção. Carlos Vinícius, por sua vez, tem uma ligação forte com o país, onde ganhou projeção no Real SC, passou pelo Rio Ave e se destacou pelo Benfica.

A bola está com Jorge Jesus

Carlos Vinícius não foi convocado por Portugal para a Copa do Mundo de 2026 e o cenário atual da seleção conta com opções importantes para o ataque. Ainda assim, a fase do gremista muda o peso da discussão. Aos 31 anos, ele não representa um projeto de futuro.

Carlos Vinícius representa uma alternativa de experiência internacional e, principalmente, de gols. A história ganha um ingrediente especial: o atacante, que já recebeu elogios e críticas de Jorge Jesus, pode voltar a cruzar o caminho do técnico português, agora com a possibilidade de defender Portugal.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

Entenda como Robinho Jr. pode ser utilizado por Daniele De Rossi no Genoa

O Genoa vive um início ruim na Serie A do Campeonato Italiano. Após três rodadas, o time de Daniele De Rossi ainda não pontuou, sofreu sete gols e marcou apenas um. As derrotas para Napoli, Lazio e Como aumentam a pressão e podem levar o técnico a buscar mudanças.

É nesse cenário que Robinho Jr. aparece como opção para o futuro próximo. Emprestado pelo Santos, o atacante de 18 anos chega ao Genoa para desenvolver seu potencial e ganhar espaço. O clube italiano tem opção de compra de € 8 milhões, e o jogador possui cidadania italiana.

Robinho Jr. chega como opção diferente

Robinho Jr. é um jogador que pode atuar principalmente pelo lado direito do ataque, mas também tem capacidade para ocupar outras zonas do setor ofensivo. No Santos, acumulou 28 partidas pela equipe profissional, embora tenha perdido espaço ao longo de 2026.

No Genoa, Robinho Jr. terá concorrência de jogadores com perfis variados, como Vitinha, Lorenzo Colombo, Elias Havel, Milutin Osmajic e Stephan El Shaarawy. Junior Messias também pode atuar no ataque, enquanto Tommaso Baldanzi oferece uma alternativa entre linhas.

Robinho Jr., portanto, não chegaria necessariamente para disputar uma vaga de centroavante. A sua principal possibilidade está justamente em oferecer velocidade, drible e capacidade de jogar aberto, características que podem mudar a dinâmica ofensiva do Genoa.

Mau início pode abrir espaço para mudanças

O momento do time também pode acelerar esse processo. O Genoa perdeu por 2 a 0 para o Napoli na estreia, por 1 a 0 para a Lazio na segunda rodada e, depois, foi goleado pelo Como por 4 a 1. São três derrotas consecutivas, sete gols sofridos e apenas um marcado.

Mais do que os resultados, a produção ofensiva preocupa. Contra o Como, por exemplo, o Genoa finalizou apenas 11 vezes e acertou duas no alvo. Nesse cenário, De Rossi pode ser obrigado a mexer no time titular.

Robinho Jr. não chega ao Genoa com perspectiva imediata de ser titular. O plano inicial é que o atacante comece pela Primavera e faça a transição ao elenco principal de forma gradual. Se a equipe continuar sem reagir, porém, Daniele De Rossi pode buscar alternativas no próprio grupo.

Onde Robinho Jr. pode ganhar espaço?

Uma das possibilidades seria utilizar o brasileiro como extremo em um sistema com três atacantes. Foi justamente esse desenho que De Rossi utilizou na estreia contra o Napoli, com Baldanzi, Vitinha e Colombo formando o trio ofensivo.

Robinho Jr. poderia atuar pelas pontas, sobretudo em jogos que exijam mais velocidade e capacidade no um contra um. Outra opção seria deixá-lo mais livre pela direita, buscando espaços por dentro e combinando com Baldanzi em um ataque mais móvel.

A comparação com El Shaarawy e Messias também é interessante. Os dois possuem experiência muito maior no futebol italiano, mas Robinho Jr. pode oferecer características mais próximas de um jogador de ruptura e, principalmente, uma opção jovem em um elenco que precisa encontrar soluções.

Daniele De Rossi pode promover uma pequena revolução?

O momento abre espaço para mudanças. Após três derrotas, De Rossi terá de avaliar se os titulares vêm entregando o que a equipe precisa. Contra o Frosinone, em casa, no dia 12 de setembro, o Genoa terá uma chance importante de reagir.

Caso a equipe continue sem respostas, uma espécie de revolução nos titulares pode ganhar força. E é aí que Robinho Jr. pode entrar no radar. O brasileiro ainda precisa se adaptar ao futebol italiano, ao estilo de De Rossi e à exigência física da Serie A.

Uma entrada imediata entre os titulares seria arriscada, mas dar minutos a Robinho Jr. pode oferecer uma alternativa ao ataque que marcou apenas uma vez em três rodadas. Por enquanto, o jovem é mais projeto do que solução, embora a pressão sobre o Genoa possa acelerar essa transição.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

Barcelona x Real Madrid: como Gabriel Jesus e Vinícius Júnior podem protagonizar nova rivalidade brasileira na La Liga

O maior clássico do futebol espanhol pode ganhar, nos próximos meses, mais um ingrediente brasileiro. De um lado, Vinícius Júnior, um dos principais jogadores do Real Madrid e nome que há anos está entre os protagonistas da La Liga.

Do outro lado está Gabriel Jesus, recém-chegado ao Barcelona em busca de espaço e de recuperar o protagonismo das últimas temporadas. São trajetórias distintas, mas que podem se cruzar em um dos grandes duelos do futebol mundial.

Vini já é realidade no Real Madrid

Vinícius Júnior não precisa de apresentação. Aos 26 anos, o atacante se consolidou como uma das grandes estrelas do Real Madrid e continua sendo uma das principais armas ofensivas do clube. Na atual temporada, o brasileiro soma um gol e duas assistências em quatro partidas de La Liga.

Também participou da estreia do Real Madrid na Champions League, na vitória por 2 a 1 sobre a Inter de Milão. No total, são cinco jogos, um gol e duas assistências em 2026/2027. O início, porém, acontece em um contexto diferente daquele dos melhores momentos de Vini Jr.

O Real Madrid perdeu para o Betis por 1 a 0 na quarta rodada do Campeonato Espanhol e o brasileiro vem sendo acompanhado de perto pelo técnico José Mourinho, que assumiu o comando da equipe merengue.

Ainda assim, a dimensão de Vinícius Júnior permanece intacta. O atacante é um dos rostos do projeto merengue, aparece novamente entre os indicados à Bola de Ouro e continua sendo capaz de decidir partidas com velocidade, drible e capacidade de atacar espaços.

Gabriel Jesus começa uma nova história

Do outro lado está Gabriel Jesus, que vê no Barcelona a chance de recuperar o protagonismo perdido nos últimos anos. Após se destacar no Palmeiras e conquistar títulos pelo Manchester City, o atacante passou quatro temporadas no Arsenal, marcadas por lesões, perda de espaço e irregularidade.

Pelo clube inglês, foram 123 jogos e 32 gols. Na reta final, Gabriel Jesus perdeu espaço na disputa pelo ataque e acabou deixando Londres para assinar com o Barcelona até junho de 2029. O negócio foi fechado por cerca de 10 milhões de euros.

A estreia pelo Barcelona foi curta, mas positiva. Gabriel Jesus entrou no segundo tempo da goleada por 5 a 0 sobre o Valencia, finalizou duas vezes e acertou 11 de 14 passes. Também combinou com Lamine Yamal e quase marcou em chute de fora da área.

Depois, na segunda aparição, em plena Champions League, Gabriel Jesus marcou mesmo o primeiro gol no time Blaugrana. Com apenas sete minutos em campo diante do Feyenoord, a cria do Palmeiras fez o quinto tento na vitória por 5 a 1 na partida com equipe holandesa.

Dois brasileiros, dois momentos

É justamente essa diferença de momento que torna a possível disputa interessante. Vinícius chegará a este duelo sempre marcante no futebol mundial como um jogador estabelecido. É estrela, tem peso dentro do Real Madrid e já conhece profundamente a pressão de um El Clásico.

Gabriel Jesus, por sua vez, precisa reconstruir sua trajetória. Aos 29 anos, não chega ao Barcelona como uma promessa, mas como um atacante experiente que busca recuperar confiança, sequência e protagonismo.

E existe uma característica que pode ajudá-lo: Jesus não precisa necessariamente atuar apenas como centroavante. Sua movimentação, capacidade de pressionar e facilidade para participar da construção ofensiva podem oferecer alternativas ao sistema de Hansi Flick.

O Barcelona, aliás, vive um início arrasador. O time venceu os quatro primeiros jogos do Campeonato Espanhol, marcou 17 gols e sofreu apenas dois. Além disso, goleou o Valencia por 5 a 0 na rodada passada.

Um novo capítulo brasileiro no El Clásico

Barcelona e Real Madrid se enfrentam pela primeira vez na La Liga em 25 de outubro, no Camp Nou. Até lá, Gabriel Jesus terá tempo para recuperar ritmo e buscar espaço, enquanto Vinícius Júnior tentará manter seu protagonismo no Real Madrid.

Se o brasileiro do Barcelona conseguir reencontrar sua melhor versão, o El Clásico poderá ganhar uma disputa particular que há algum tempo não tinha esse peso: Gabriel Jesus x Vinícius Júnior. Um já é estrela. O outro está tentando voltar a ser.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

Quem é Mauro Júnior, do PSV, aposta de Carlo Ancelotti na Seleção Brasileira? Veja

A primeira convocação de Carlo Ancelotti após a Copa teve oito estreantes, entre eles Mauro Júnior. Aos 27 anos, o jogador do PSV Eindhoven chega à seleção brasileira após quase uma década na Holanda, consolidado como lateral-esquerdo depois de iniciar a carreira como meia ofensivo.

Carlo Ancelotti não escondeu o motivo da escolha. Para o italiano, Mauro Júnior é um lateral “muito ofensivo”, com qualidade e capacidade para atuar por dentro. A ideia é observá-lo de perto e descobrir se pode ser uma solução para uma posição que o treinador considera em avaliação permanente.

Do Desportivo Brasil ao PSV

Nascido em São Paulo, Mauro Júnior começou a formação no Desportivo Brasil e passou ainda pelas categorias de base do Shandong Luneng, da China, e do Vasco. Em 2017, aos 18 anos, deixou o país para assinar com o PSV Eindhoven.

A adaptação foi rápida. Começou atuando como meia, posição na qual também havia brilhado nas categorias de base do Brasil, mas progressivamente passou a ser utilizado como lateral, sobretudo pelo lado esquerdo, aproveitando o fato de ser canhoto.

A mudança de posição redefiniu a carreira de Mauro Júnior no futebol europeu. Pelo PSV Eindhoven, já são 206 jogos, dez gols e 31 assistências, enquanto no empréstimo ao Heracles, em 2019/20, somou seis gols e sete assistências em 29 partidas.

Os números que chamaram atenção

A convocação não acontece apenas pela longevidade na Europa. Mauro Júnior vem de uma temporada 2025/2026 bastante produtiva no PSV Eindhoven. Foram 37 jogos, um gol e 11 assistências em todas as competições. Na Eredivisie, foram 26 partidas e nove assistências.

E o começo de 2026/2027 reforçou a escolha. Mauro Júnior disputou os seis primeiros jogos da temporada pelo PSV Eindhoven, somando 408 minutos, um gol e uma assistência. Marcou justamente na goleada por 6 a 1 sobre o Utrecht, além de ter iniciado a temporada como titular.

Os números avançados também mostram uma participação importante na construção: na última temporada, disputou 2.085 minutos na liga e terminou com nove assistências. É um jogador acostumado a participar da criação, não apenas a ocupar o corredor.

Um lateral diferente para Carlo Ancelotti

É justamente esse perfil que pode explicar a aposta. Mauro Júnior não é o lateral brasileiro clássico que passa o jogo inteiro aberto pela esquerda. Sua formação como meia ainda aparece no comportamento em campo.

le gosta de receber por dentro, associar-se com os meio-campistas e participar da construção ofensiva. “É um lateral que gosta de jogar por dentro. Muito ofensivo, com muita qualidade”, explicou Carlo Ancelotti ao justificar a convocação.

Para uma seleção que procura alternativas nas laterais, a versatilidade pode ser um diferencial. Mauro Júnior oferece uma solução capaz de alterar a estrutura durante a partida, funcionando quase como um meio-campista adicional quando o Brasil tem a bola.

A oportunidade que demorou

A história com a Seleção também não começou agora. Mauro Júnior disputou o Campeonato Sul-Americano Sub-15 e Sub-17 pelo Brasil e chegou a ser chamado por André Jardine para a equipe olímpica.

Entre 2019 e 2020, por exemplo, participou de cinco partidas na preparação para os Jogos de Tóquio, mas uma sequência de lesões acabou afastando-o da convocação definitiva. Mais de uma década depois de sair do Brasil, finalmente chegou a oportunidade na principal.

Ancelotti poderia optar por um lateral mais conhecido, mas escolheu um jogador que se reinventou na Europa e construiu números relevantes pelo PSV Eindhoven. Mauro Júnior chega à seleção brasileira sem status de estrela, mas como uma alternativa diferente que o técnico italiano pretende avaliar.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

Por que Carlo Ancelotti escolheu Breno Bidon para a Seleção Brasileira? Números explicam

A convocação de Breno Bidon é uma das novidades da primeira lista de Carlo Ancelotti no novo ciclo da Seleção Brasileira. Aos 21 anos, o meia do Corinthians ganha sua primeira chance após deixar de ser promessa da base e assumir papel mais relevante no time profissional.

Canhoto, técnico e versátil, Breno Bidon pode atuar em diferentes zonas do meio-campo e se destaca pela capacidade de antecipar as jogadas. Com a cabeça levantada, busca a próxima solução antes mesmo de receber a bola, combinando criatividade na construção com participação sem a posse.

O ano em que Breno Bidon ganhou espaço

Os números mostram um jogador com participação significativa. Pela Série A do Brasileirão 2026, Bidon soma 23 partidas, 21 como titular, 1.604 minutos, dois gols e uma assistência, segundo o levantamento do FotMob. A média de avaliação é de 6,81.

No Sofascore, o meia aparece com 20 milhões de euros (R$ 118,8 milhões, na cotação atual) de valor de mercado e uma avaliação média de 6,7 nos últimos 12 meses. O dado mais recente também é significativo: recebeu nota 7,2 na derrota do Corinthians para a Chapecoense.

Portanto, acabou justificando a convocação apesar do momento complicado do Timão no Brasileirão. Breno Bidon também participou de momentos importantes da temporada. Na Copa Libertadores da América, marcou o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Rosario Central, nas oitavas de final.

Passe como principal cartão de visita

É justamente na construção que aparece uma das maiores virtudes do camisa 7 do Timão. Na Série A, Bidon soma 704 passes, 604 certos, com 85,8% de aproveitamento, além de 18 passes-chave e 2,49 assistências esperadas. São aproximadamente 39 passes por 90 minutos.

Mas o número mais interessante talvez esteja na capacidade de participar de diferentes fases. Em 2026, registra 211 duelos disputados e 110 vencidos, além de 17 desarmes e 52 recuperações. Ou seja, não é simplesmente um meia preocupado com a bola nos pés.

Tem participação sem ela e consegue competir fisicamente, ainda que esse não seja o elemento que define seu jogo. No duelo contra o Internacional pela Copa do Brasil, por exemplo, acertou 49 dos 55 passes, uma eficiência de quase 89%, em uma partida em que o Corinthians teve 73% de posse.

Por que falam em Pedri?

A comparação com Pedri, do Barcelona, não surgiu do nada. Bidon foi questionado sobre ela em entrevista à ESPN e admitiu que o espanhol é uma referência para seu futebol. A ideia não é dizer que os dois jogadores têm o mesmo nível ou exatamente as mesmas características.

A semelhança aparece na leitura dos espaços, na qualidade do passe curto e na capacidade de sair da pressão para acelerar a jogada com poucos toques. Entre suas características está o movimento entre linhas, seguido de condução curta e passe para companheiros em zonas de difícil acesso.

Em 2025, por exemplo, foi protagonista de uma das jogadas mais bonitas da campanha do Corinthians na Copa do Brasil, ao aplicar uma meia-lua de primeira antes de iniciar a construção do gol decisivo contra o Vasco.

A Europa já bateu à porta

A convocação chegou poucos dias depois de Breno Bidon ter sido alvo do futebol europeu. O Besiktas chegou a discutir uma transferência por cerca de 18 milhões de euros, mas não formalizou a proposta antes do encerramento da janela turca.

O Corinthians manteve o jogador, que tem contrato até dezembro de 2029. O interesse reforça a valorização de Bidon no mercado: ele deixou de ser apenas uma aposta da base e passou a despertar atenção pelo potencial de uma futura transferência para a Europa.

E o próprio jogador já deixou claro que pensa nesse caminho, mas sem pressa para escolher qualquer destino. A preferência passa por mercados como Inglaterra, Espanha ou Itália. De Portugal, o jogador já teve abordagens do Sporting e do Benfica.

Agora, o teste de Carlo Ancelotti

Ancelotti encontrou em Bidon um meia jovem, canhoto, versátil e com capacidade para participar da construção e pressionar sem bola. A convocação faz parte de uma renovação profunda: apenas nove jogadores que estiveram na Copa de 2026 permaneceram na primeira lista do italiano.

O desafio agora é levar o talento que o Corinthians já conhece a um nível mais alto de exigência. Na Seleção, Breno Bidon chega sem a obrigação de ser solução imediata, mas com a oportunidade de ser observado por Carlo Ancelotti e mostrar até onde pode evoluir.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

Brasileiros lideram Benfica em título histórico de futsal e bicampeonato que escapava há 18 anos

O Benfica voltou ao topo do futsal português ao vencer o Sporting por 4 a 3 no quinto jogo da final, em um dérbi decidido no limite. Com o Pavilhão da Luz lotado, as “Águias” conquistaram o décimo Campeonato Português da história.

O título encerra um jejum de 18 anos sem o clube conseguir um bicampeonato nacional na modalidade. A última vez que o Benfica havia conseguido defender com sucesso o título português remontava à temporada 2007/2008.

Desta vez, além da força coletiva da equipe comandada pelo técnico brasileiro Cassiano Klein, ex-treinador de Joinville e Cascavel, foram vários jogadores nascidos no Brasil que assumiram papel determinante ao longo da campanha.

Brasileiros foram protagonistas durante toda a temporada

O elenco benfiquista contou com uma autêntica espinha dorsal brasileira formada por Léo Gugiel, Peléh, Arthur, Higor de Souza, Diego Nunes e Jacaré. Na decisão, Léo Gugiel abriu o caminho da vitória ao marcar um dos gols do triunfo por 4 a 3 sobre o Sporting.

Depois, André Coelho ampliou a vantagem para 2 a 0, antes de os rivais reagirem e levarem a decisão para momentos de enorme tensão. Silvestre recolocou o Benfica em vantagem e, pouco depois, Kutchy converteu o pênalti que acabaria por decidir o título.

Contudo, a conquista começou a ser construída muito antes da finalíssima. Arthur foi o grande símbolo da regularidade benfiquista ao longo da temporada. O ala brasileiro encerrou o ano como artilheiro do clube, com expressivos 32 gols.

Logo atrás apareceu outro brasileiro. Jacaré assinou 27 gols durante a campanha, enquanto Higor de Souza contribuiu com 20 tentos. Diego Nunes também teve participação decisiva ao balançar as redes 19 vezes, confirmando o enorme peso do futsal brasileiro na caminhada rumo ao título.

Técnico Cassiano Klein celebra força coletiva

Depois do apito final, Cassiano Klein, treinador de futebol de salão desde 2017, destacou o ambiente criado pelos torcedores durante toda a temporada e dividiu os méritos da conquista com os adeptos encarnados.

“Primeiro, agradecer muito aos adeptos pelo carinho que nós estamos a receber deles. Está a ser incrível, é uma sinergia. Hoje conseguimos o bicampeonato aqui dentro, a sentir esse carinho e estamos aqui a dividir essa alegria. É algo muito marcante para nós”, disse o treinador antes de prosseguir:

“Mesmo que os adeptos da equipa da casa os queiram abafar, eles não se entregam. Estão nos 40 minutos. São o maior exemplo para nós. Se eles não se entregam, nós também não nos podemos entregar”, completou.

Peléh exalta projeto e torcida do Benfica

Outro brasileiro que viveu intensamente a conquista do Benfica foi Peléh. Um dos líderes do elenco, o ala destacou o trabalho desenvolvido ao longo da temporada e afirmou que o grupo mereceu o bicampeonato.

“É uma sensação única. Estou muito feliz por todos, por este projeto lindo. Merecemos esta vitória, este título, trabalhámos muito para isso. Só nós sabemos o que passámos. Agora é desfrutar, comemorar bastante e aproveitar as férias”, afirmou o jogador antes de continuar:

“Sem palavras para os nossos adeptos. Um muito obrigado não chega. Do fundo do meu coração, nunca vi isto noutro lado. Os benfiquistas são surreais. Que nos continuem a apoiar, porque isso é muito importante para quem está cá dentro.”

Brasil volta a deixar marca em Portugal

Se dentro da quadra o Benfica voltou a afirmar-se como campeão nacional, fora dela a conquista reforçou, uma vez mais, a influência brasileira no futsal português. Após um longo jejum, as Águias escreveram mais um capítulo marcante da história do clube.

Mais do que um título, o bicampeonato representou a consolidação de um projeto vencedor que teve no talento brasileiro um dos seus principais pilares e que voltou a colocar o Benfica entre as grandes referências do futsal europeu.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

Quem é Kahuan Vinícius? Brasileiro decidiu Copa na Europa e agora vive drama com clube punido por corrupção

O futebol costuma ser capaz de produzir histórias de glória e queda em questão de semanas. E foi exatamente isso que aconteceu com Kahuan Vinícius. O atacante brasileiro de 22 anos foi o grande herói da inédita conquista da Copa da República Tcheca pelo Karviná, mas agora vê o clube viver um dos momentos mais turbulentos da sua curta história após ser rebaixado à segunda divisão por envolvimento em um caso de manipulação de resultados.

A punição foi aplicada pela Comissão de Ética da Federação Tcheca de Futebol (FACR), que concluiu que o clube esteve envolvido em tentativas de influenciar um jogo do campeonato e duas partidas do play-off de permanência disputadas em 2024, através de alegados subornos a árbitros e jogadores. Além do rebaixamento, o Karviná recebeu uma multa de 10 milhões de coroas checas, cerca de 413 mil euros.

Kahuan Vinícius: brasileiro foi “herói” na campanha do título

Em meio ao escândalo que agora envolve o clube, permanece a lembrança de uma campanha histórica dentro de campo. O Karviná conquistou pela primeira vez a Copa da República Tcheca após vencer todos os seis jogos disputados no torneio, com 21 gols marcados e apenas quatro sofridos. E o grande nome da reta final da competição foi justamente Kahuan Vinícius.

Na semifinal, o atacante brasileiro marcou um dos gols da vitória por 3 a 1 sobre o FK Pardubice, resultado conquistado apenas na prorrogação. Na grande decisão, voltou a ser decisivo ao marcar duas vezes na vitória por 3 a 1 diante do FK Jablonec, assinando um “doblete” que entrou para a história do clube.

Qual foi a trajetória de Kahuan Vinícius?

Revelado pelo Capivariano, Kahuan Vinícius deixou o Brasil ainda nas categorias de base para tentar a sorte no futebol europeu. Em 2022/23, transferiu-se para o Karviná, da Chéquia, clube onde realizou a estreia no futebol profissional na temporada seguinte.

Em 2024/25, o atacante começou a ganhar mais espaço e participou de 22 partidas, marcando três gols. Depois, passou pelo Torreense, de Portugal, onde atuou na equipe Sub-23.

O retorno ao Karviná em 2025/26 representou a afirmação do brasileiro. Em apenas 12 jogos, Kahuan marcou cinco gols, números que ganharam ainda mais relevância pela importância dos seus tentos nas fases decisivas da Copa da Chéquia.

Futuro europeu do time ainda está indefinido

Apesar da dura sanção aplicada pela Federação Checa, o Karviná ainda não foi afastado das competições organizadas pela UEFA. A conquista da Copa da República Tcheca garantiu ao clube uma vaga no play-off de acesso à próxima edição da Europa League

Porém, ainda não existe uma decisão da entidade europeia sobre uma eventual exclusão. O clube ainda possui cinco dias para recorrer da punição, enquanto os jogadores aguardam uma definição sobre o futuro.

No caso de Kahuan Vinícius, o momento é especialmente contraditório. Aos 22 anos, o brasileiro vive o melhor período da carreira, após tornar-se o herói de uma conquista histórica. Entretanto, a mesma equipe que o colocou em evidência no futebol europeu agora enfrenta um dos maiores escândalos da sua existência.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

Números explicam má fase de Raphael Veiga, alvo do Vasco, no América-MEX

Alvo do Vasco, Raphael Veiga habituou a torcida do Palmeiras a decidir jogos, levantar taças e assumir o protagonismo nos momentos mais importantes. No entanto, a realidade vivida atualmente no América-MEX está longe daquela que o transformou em um dos grandes ídolos recentes do Verdão

Emprestado ao gigante mexicano até o fim de 2026, o jogador de 31 anos ainda procura reencontrar a melhor versão do seu futebol. Os números da temporada ajudam a explicar por que o rendimento tem ficado abaixo das expectativas e por que já começam a surgir especulações sobre uma possível saída.

Estatísticas mostram queda de rendimento

Raphael Veiga disputou 20 partidas, marcou três gols e distribuiu três assistências. Embora os números não sejam propriamente negativos, ficam bastante distantes dos padrões que o meia apresentou durante os seus melhores anos no Palmeiras.

Além da menor produção ofensiva, o brasileiro, multicampeão pelo clube paulista, tem encontrado dificuldades para exercer a mesma influência na construção das jogadas e no controle dos jogos na temporada de 2026.

O processo de adaptação ao futebol mexicano, aliado à forte concorrência interna no elenco do América, tem impedido que o jogador alcance a regularidade que o caracterizou durante grande parte da carreira. Ainda assim, Raphael Veiga mostrou lampejos da sua qualidade.

Um dos momentos mais marcantes da passagem pelo clube aconteceu na Concacaf Champions Cup, quando marcou o gol da vitória por 1 a 0 diante do Philadelphia Union, demonstrando que continua capaz de decidir partidas importantes.

Antes disso, para o Campeonato Mexicano, ele fez o seu melhor jogo diante do Mazatlán tendo marcado um gol e feito uma assistência na vitória por 2 a 0. A fase atual, porém, contrasta com a trajetória construída pelo meia nos últimos anos.

Um currículo que impõe respeito

Raphael Veiga foi uma das principais figuras da era mais vencedora da história recente do Palmeiras. Pelo clube paulista, conquistou duas Copas Libertadores da América, dois Campeonatos Brasileiros, uma Copa do Brasil, uma Recopa Sul-Americana e uma Supercopa do Brasil.

Mais do que os títulos, o camisa 23 ficou marcado pela capacidade de aparecer nos momentos decisivos. Foram inúmeros gols em finais, clássicos e confrontos eliminatórios, tornando-se uma referência técnica e emocional para a torcida palmeirense.

As atuações também renderam espaço na Seleção Brasileira. Raphael Veiga acumulou convocações ao longo dos últimos ciclos e vestiu a camisa da Amarelinha em seis oportunidades, reforçando o estatuto que alcançou no futebol sul-americano.

Negociação com o Vasco ganha força

O cenário atual faz com que o futuro do jogador permaneça em aberto. Como o vínculo de empréstimo junto ao clube mexicano termina apenas em dezembro de 2026, qualquer definição ainda parece distante.

Contudo, a falta de protagonismo e a adaptação mais lenta do que o esperado alimentam rumores sobre uma eventual volta ao futebol brasileiro. O Palmeiras não demonstra interesse em reintegrar o jogador ao elenco comandado pelo técnico Abel Ferreira.

Isso, portanto, abre caminho para a negociação com o Vasco. Apesar de continuar acreditando na capacidade técnica do brasileiro, o América avalia todos os pontos pensando em uma eventual interrupção da parceria do previsto.

Nesse momento, o Gigante da Colina se coloca como único candidato a contratar o jogador na próxima janela de tranaferências. Marcos Lamacchia, futuro dono da SAF Vasco, tenta viabilizar o acordo junto ao Palmeiras.

Qualidade continua intacta

Apesar do momento menos brilhante, poucos duvidam da qualidade de Raphael Veiga. A experiência acumulada, a inteligência tática, a capacidade de finalização e o histórico vencedor continuam a fazer dele um jogador valorizado no mercado da bola.

Não por acaso, o seu valor de mercado permanece em torno dos 6,7 milhões de euros (R$ 39,5 milhões, na cotação atual), uma demonstração de que o jogador tem seu potencial reconhecido por dirigentes e empresários.

A questão agora é saber se o meia conseguirá reencontrar no México o futebol que o transformou em ídolo do Palmeiras ou se o futuro reservará um regresso ao clube onde viveu os melhores momentos da carreira.

Por enquanto, os números mostram uma realidade diferente daquela a que os torcedores estavam habituados. Mas também indicam que ainda existe tempo para Raphael Veiga voltar a ser protagonista seja no América, Palmeiras ou Vasco.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

Raio X: veja os números da carreira de Talles Magno, do New York City FC, que está na mira do Athletico-PR

O nome de Talles Magno voltou a ganhar força no mercado da bola brasileiro. Revelado pelo Vasco e apontado durante vários anos como uma das maiores promessas do futebol nacional, o atacante do New York City FC, dos Estados Unidos, entrou na mira do Athletico-PR.

Aos 23 anos, o jogador vive um momento curioso da carreira. Já acumulou experiência internacional, conquistou títulos e disputou mais de uma centena de partidas no exterior. Porém, continua à procura da explosão definitiva que muitos previam quando surgiu no time profissional do Gigante da Colina.

O talento nunca esteve em causa. A questão é que o rendimento ainda não acompanhou totalmente a expectativa criada em torno do seu nome. Talles Magno foi um dos principais produtos da formação vascaína nos últimos anos.

A joia que encantou São Januário

Ainda adolescente, chamou a atenção pela facilidade no drible, capacidade física acima da média e versatilidade ofensiva. Atuando pela ponta esquerda, mas também capaz de jogar pela direita ou como referência ofensiva, passou a ser apontado como um dos jogadores mais promissores da sua geração.

As exibições renderam convocações para as seleções de base do Brasil e despertaram o interesse do mercado da bola. Foi então que surgiu o Grupo City, maior conglomerado de clubes do mundo, dono do New York City FC.

A melhor temporada da carreira aconteceu nos Estados Unidos

A transferência para a MLS representou uma mudança importante na carreira do atacante. Depois de um período inicial de adaptação, Talles Magno encontrou o seu melhor momento em 2022, ano que continua a ser o mais produtivo da sua trajetória profissional.

Naquela temporada, ´por exemplo, o brasileiro disputou 45 partidas, marcou 11 gols e distribuiu sete assistências, atingindo um total de 18 participações diretas em gols. Os números transformaram-no numa das figuras do New York City FC e renderam elogios dentro da MLS.

Foi também nessa época que demonstrou, talvez pela primeira vez de forma consistente, o potencial que muitos identificavam desde os tempos de Vasco. Além disso, participou da campanha que consolidou o clube entre os mais competitivos dos Estados Unidos.

O regresso ao Brasil e a passagem pelo Corinthians

Em 2024, Talles Magno regressou ao futebol brasileiro para representar o Corinthians. A passagem pelo clube paulista foi marcada por momentos positivos, embora sem atingir níveis extraordinários de protagonismo.

Ao longo da sua estadia no Parque São Jorge, disputou 67 partidas, marcou nove gols e conquistou dois títulos importantes: o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil de 2025. Mesmo sem números exuberantes, acrescentou experiência competitiva ao currículo.

O momento atual em Nova York

Depois do fim do vínculo com o Corinthians, o atacante regressou ao New York City FC. Na atual temporada, os números ainda são discretos. Talles Magno soma 10 partidas, dois gols marcados e procura recuperar espaço e ritmo competitivo.

O contrato com o clube norte-americano é válido até dezembro de 2027. O valor de mercado do atleta está atualmente estimado em cerca de 3,5 milhões de euros (R$ 20,6 milhões, na cotação atual), um número distante dos patamares que muitos imaginavam quando despontou no Vasco.

Athletico aposta no potencial ainda por explorar

É precisamente esse potencial que continua a despertar interesse. Aos 23 anos, Talles Magno está longe de ser um jogador acabado. Pelo contrário. Muitos observadores entendem que o atacante ainda não atingiu o teto competitivo que parecia destinado a alcançar nos primeiros anos da carreira.

Para o Athletico-PR, uma eventual contratação significaria apostar num atleta jovem, com experiência internacional, qualidade técnica reconhecida e margem para crescimento. O Furacão sabe que estaria a contratar um jogador que já mostrou lampejos de enorme talento.

A dúvida é perceber se o ambiente certo poderá finalmente ajudar Talles Magno a transformar promessa em realidade. Porque, apesar dos títulos, das experiências internacionais e dos bons momentos vividos até aqui, a sensação continua a ser a mesma: o melhor futebol de Talles Magno poderá ainda estar por chegar.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

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