O Vasco enfrenta crescente pressão pelo desempenho dos reforços contratados na gestão do presidente Pedro Paulo de Oliveira. Brenner, Marino Hinestroza, Benjamín Garré, Maxime Domínguez, Loide Augusto e Jean David não corresponderam as expectativas da torcida.
A Agência RTI Esporte apurou que os atacantes custaram aos cofres do clube R$ 105,9 milhões, mas entregaram retorno técnico abaixo da expectativa ao longo da temporada. Os números ajudam a explicar parte da insatisfação da torcida.
Somados, os seis jogadores participaram diretamente de apenas sete gols desde que chegaram a São Januário. O cenário aumenta os questionamentos sobre critérios adotados pelo departamento de futebol nas últimas janelas de transferências.
O caso mais emblemático envolve Brenner, contratação mais cara do grupo. O atacante, que chegou em janeiro deste ano, custou 5 milhões de euros (R$ 31 milhões, à época) junto a Udinese, da Itália, e soma 23 partidas, com três gols marcados e uma assistência.
Embora seja o atleta com maior participação ofensiva entre os reforços analisados, o desempenho ainda é considerado inferior ao esperado para um investimento desse porte. Outro nome cercado de expectativa era Marino Hinestroza.
Contratado junto ao Atlético Nacional, o atacante chegou ao clube por US$ 5 milhões (R$ 30 milhões), mas disputou apenas 18 partidas e ainda não marcou gols. Internamente, existe o entendimento de que o jogador ainda não justificou o investimento realizado.
Contratações acumulam críticas nos bastidores
O argentino Benjamín Garré, contratado por US$ 3 milhões (R$ 15 milhões) junto ao Krylya Sovetov, da Rússia, disputou 22 jogos e contribuiu com apenas uma assistência. No período, o atacante conviveu com oscilações e acabou sendo emprestado ao Aris, da Grécia.
Já o suíço Maxime Domínguez foi contratado junto ao Gil Vicente, de Portugal. Ele custou 2 milhões de euros (R$ 12,4 milhões) e disputou 15 partidas, com um gol e uma assistência. Após seis meses, acabou sendo emprestado ao Toronto FC, do Canadá.
Por lá, o hispano-suíço acumulou alguns jogos como titular. Porém, teve passagem sem brilho pela MLS. O desempenho abaixo das expectativas fez o clube canadense desistir da contratação dele. No retorno ao Vasco, ele acabou negociado com o KS Cracóvia, da Polônia.
Os casos de Loide Augusto e Jean David também aumentam a pressão sobre o planejamento esportivo do Vasco. O angolano, que custou 1,5 milhão de euros (R$ 9 milhões) junto ao Alanyaspor, da Turquia, entrou em campo 18 vezes e não participou diretamente de gols.
Posteriormente, Loide Augusto acabou sendo emprestado a Caykur Rizespor, da Turquia. Apesar da regularidade atuando como titular, o jogador será devolvido ao Gigante da Colina ao fim do contrato, em 30 de junho.
Jean David, adquirido por US$ 1,6 milhão (R$ 8,5 milhões) junto ao Toluca, do México, somou 15 jogos sem registrar gols ou assistências. Após ser escanteado, como se diz na gíria do futebol, rescindiu contrato amigavelmente com o Vasco.
Pressão aumenta sobre departamento de futebol
O baixo impacto técnico dos reforços ocorre em um momento delicado da temporada. O Vasco convive com cobrança intensa por resultados e tenta evitar que a pressão externa afete ainda mais o ambiente político e esportivo do clube.
Nos bastidores, dirigentes admitem preocupação com a repercussão negativa envolvendo os investimentos realizados. O entendimento é de que o clube precisará melhorar o índice de acerto na próxima janela de transferências para evitar novos prejuízos financeiros e esportivos.
A gestão Pedrinho defendia a necessidade de rejuvenescimento e qualificação do elenco ao assumir o controle do futebol. Entretanto, os números apresentados até aqui aumentam a desconfiança sobre a efetividade das escolhas feitas pelo clube.
Enquanto tenta reagir na temporada, o Vasco segue convivendo com questionamentos sobre planejamento, execução e retorno esportivo de um dos pacotes de reforços mais caros de sua história recente.