Há zagueiros que defendem. Há zagueiros que lideram. E há, raramente, zagueiros que marcam. Gustavo Henrique, o camisa 13 do Corinthians, está a redefinir o que significa ser defensor central no futebol brasileiro e os números da Copa Libertadores da América não deixam margem para dúvidas.
Com efeito, o defensor tornou-se, nesta edição, o brasileiro com mais golos na Libertadores 2026: três tentos marcados em apenas quatro jogos disputados, numa média impressionante de 0,75 gols por partida. Uma estatística que envergonharia muitos atacantes.
Da defesa ao ataque: um recorde pessoal que conta uma história
Para além dos gols, importa contextualizar o fenomeno. Em apenas 23 jogos nesta temporada, Gustavo Henrique já soma seis participações em jogos ofensivos que representa um novo máximo absoluto na sua carreira.
Trata-se de um número que supera, pela primeira vez, o seu melhor registo anterior: cinco gols marcados em 2019, ao serviço do Santos, em 55 partidas. Ou seja, o defensor já igualou e ultrapassou esse patamar em menos de metade dos jogos. Uma evolução notável, portanto.
Aliás, o desempenho nas últimas rodadas da fase de grupos da Copa Libertadores da América confirma esta tendência ascendente. Segundo dados do Sofascore, Gustavo Henrique recebeu notas de 8.0 contra o Santa Fé (4ª rodada).
Posteriormente, a plataforma aplicou um 8.6 frente ao Peñarol (3ª rodada) e um impressionante 9.4 no segundo confronto com o Santa Fé. No encontro da 2ª rodada, ele somou dois gols e uma assistência, numa exibição de nível mundial.
Muito mais do que gols: um defensor completo
No entanto, seria redutor limitar a análise de Gustavo Henrique ao seu poder ofensivo. Na verdade, os números defensivos do zagueiro de 33 anos revelam um atleta de altíssimo nível técnico e físico em todas as vertentes do jogo.
Em termos de construção de jogo, o defensor apresenta médias notáveis: 41 passes certos por jogo, com uma taxa de acerto de 92%, sendo 27,8 desses passes no próprio campo (94% de precisão) e 13,2 no terço final do adversário, com 88% de eficácia.
Números que traduzem não apenas segurança, mas também capacidade de iniciar o ataque desde a linha defensiva. No que diz respeito às disputas físicas, Gustavo Henrique vence 64% das suas disputas de bola (média de 5,4 por jogo).
Isso representa 54% de sucesso nos duelos pelo chão e um expressivo 74% de aproveitamento nos duelos aéreos, especialmente relevante para uma posição onde a bola parada é, frequentemente, decisiva. Por outro lado, o aspeto defensivo propriamente dito também impressiona.
O camisa 13 regista, em média, 5,4 cortes por jogo, 2,1 bolas recuperadas, 1,3 desarmes e 1,0 interceção. Complementarmente, bloqueia 0,9 remates por partida e é driblado apenas 0,6 vezes em média. Estes números demonstram um posicionamento tático exemplar.
O Timão tem um herói inesperado
Em suma, o Corinthians encontrou em Gustavo Henrique muito mais do que um zagueiro seguro: encontrou um líder, um artilheiro e, acima de tudo, um jogador em estado de graça. Com o Timão a avançar na Libertadores , o camisa 13 surge como uma das peças mais valiosas da competição.
Seja pela qualidade dos seus passes, pela sua presença física nos duelos ou pela frieza na hora de finalizar, Gustavo Henrique está a escrever um capítulo singular na história do futebol brasileiro. Afinal, artilheiros da zaga não nascem todos os dias.
*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal
