A Seleção Brasileira chega embalada para os 16 avos de final da Copa do Mundo de 2026 depois de terminar a fase de grupos na liderança, com duas goleadas e uma identidade de jogo cada vez mais evidente sob o comando de Carlo Ancelotti.
No entanto, o próximo desafio, dos 16avos de final, promete estar longe de ser simples. Do outro lado estará um Japão que atravessa um dos melhores momentos da sua história recente e que já sabe o que é derrotar a Amarelinha.
Em 2025, os japoneses venceram o Brasil por 3 a 2 em amistoso internacional, resultado que serviu de demonstração da evolução da equipe comandada por Hajime Moriyasu. Agora, em um contexto completamente diferente e muito mais decisivo, as duas seleções voltam a medir forças.
Invencibilidade aumenta confiança japonesa
O momento vivido pelo Japão ajuda a explicar a confiança com que a equipe chega ao mata-mata. São 10 partidas consecutivas sem derrota, com sete vitórias e três empates, sequência construída diante de adversários de diferentes níveis competitivos e que consolidou uma equipe extremamente organizada.
Na fase de grupos da Copa do Mundo, os japoneses confirmaram essa consistência ao garantirem vaga na fase a eliminar. O empate diante da Suécia foi suficiente para assegurar a classificação e mostrou a capacidade do Japão de competir diante de equipes fisicamente fortes e tecnicamente qualificadas.
Pressão alta é uma das principais armas do Japão
Se há uma característica que aproxima Japão e Brasil atualmente, ela está na forma como ambas procuram recuperar a posse de bola. Hajime Moriyasu consolidou um sistema que varia entre o 3-4-2-1 e o 5-4-1 sem bola, mas que tem como principal marca a pressão imediata após a perda da posse.
A equipe procura recuperar rapidamente a bola ainda no campo ofensivo, impedindo que o adversário organize a saída. É justamente um dos princípios que Carlo Ancelotti também implementou na Seleção Brasileira. Vinícius Júnior, Matheus Cunha, Rayan e Bruno Guimarães lideram essa primeira pressão.
Por outro lado, Casemiro garante o equilíbrio atrás da linha de combate. Lucas Paquetá, por sua vez, terá a função de definir os tempos de jogo quando da recuperação da bola e nos momentos de organização ofensiva.
Velocidade e mobilidade tornam ataque imprevisível
Embora a organização coletiva seja o grande trunfo japonês, o talento individual também merece atenção. Keito Nakamura aparece como uma das maiores referências ofensivas da seleção graças à velocidade, capacidade de drible e facilidade em criar superioridade numérica pelos corredores.
Ritsu Doan oferece criatividade entre linhas e qualidade técnica para acelerar o jogo, enquanto Daichi Kamada surge frequentemente como elemento desequilibrador entre o meio-campo e o ataque. Na frente, Daizen Maeda e Ayse Ueda são peças fundamentais no modelo de Moriyasu.
Além da velocidade em profundidade, os atacantes destacam-se pela enorme intensidade sem bola, pressionando constantemente os defensores adversários durante praticamente todo o jogo. Essa mobilidade permanente faz com que o Japão seja uma equipe difícil de marcar individualmente.
Brasil terá de controlar as transições
Se existe um aspecto que poderá preocupar Carlo Ancelotti, esse é a velocidade com que o Japão transforma recuperação defensiva em ataque. Os japoneses procuram poucos toques para chegar ao último terço e aproveitam muito bem os espaços deixados pelos adversários.
Nesse contexto, Douglas Santos e Danilo Luiz deverão voltar a desempenhar um papel determinante. A consistência defensiva oferecida pelos dois laterais permite maior liberdade ofensiva aos homens da frente e reduz o risco de contra-ataques perigosos. Além disso, Casemiro terá novamente uma missão decisiva na proteção da defesa, funcionando como primeiro travão às rápidas transições japonesas.
Um duelo que promete muito equilíbrio
Apesar do favoritismo brasileiro, o Japão chega aos 16 avos como um dos adversários mais incómodos da competição. A organização tática, a pressão coordenada e a velocidade na recuperação da posse fazem da equipe asiática um teste exigente para o Brasil.
O histórico recente também contribui para aumentar o interesse do confronto. Afinal, poucos adversários podem entrar em campo diante do Brasil trazendo na memória uma vitória conquistada há pouco mais de um ano sobre praticamente a mesma base da equipe comandada por Carlo Ancelotti.
Agora, resta saber se a evolução demonstrada pela Amarelinha durante esta Copa do Mundo será suficiente para superar um Japão que chega embalado, invicto e disposto a voltar a surpreender o futebol mundial.
*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal