Antes de mais nada, Flamengo e Benfica voltam a se enfrentar neste sábado, às 15h30 (de Brasília), pela decisão do Torneio do Algarve. O Rubro-Negro chega invicto ao confronto. Na estreia, empatou por 2 a 2 com o River Plate.
Depois, utilizando uma equipe formada em grande parte por jogadores das categorias de base, derrotou o Lausanne-Sport por 2 a 0. Além da disputa pelo título, o encontro coloca frente a frente dois clubes que construíram uma relação histórica por meio do mercado da bola.
Ao longo das últimas décadas, brasileiros que brilharam no Rio de Janeiro seguiram para Lisboa, enquanto outros fizeram o caminho inverso. Alguns se transformaram em ídolos dos dois lados do Atlântico.
Outros, apesar da expectativa criada, não conseguiram repetir o mesmo desempenho quando trocaram de clube. A Agência RTI Esporte relembra cinco jogadores que marcaram, de formas diferentes, a história de Flamengo e Benfica.
Júlio César e Mozer deixaram legado nas duas equipes
Revelado pelo Flamengo, Júlio César disputou mais de 280 partidas pelo clube carioca antes de construir uma carreira vitoriosa na Europa. Após conquistar a Liga dos Campeões pela Inter de Milão, chegou ao Benfica em 2014, onde voltou a levantar títulos e tornou-se uma referência para a torcida encarnada.
Mozer também escreveu seu nome na história dos dois clubes. Campeão do Mundo e da Copa Libertadores da América pelo Flamengo na década de 1980, o zagueiro transferiu-se para o Benfica e permaneceu por várias temporadas.
Em Portugal, por exmeplo, conquistou títulos, tornou-se capitão da equipe e até hoje é lembrado como um dos melhores defensores estrangeiros que vestiram a camisa do clube. Além disso, defendeu o Brasil na Copa do Mundo de 1990.
Aldair abriu as portas para uma carreira internacional
Depois de se destacar pelo Flamengo e conquistar a Copa do Brasil de 1990, Aldair foi negociado com o Benfica em 1989. A passagem por Portugal durou apenas uma temporada, mas foi suficiente para confirmar o potencial do zagueiro e despertar o interesse do futebol italiano.
Pelo clube português, Aldair disputou 33 partidas e marcou três gols, desempenho que chamou a atenção da Roma. A transferência para a Itália mudaria sua carreira. Na equipe da capital italiana, permaneceu por 13 temporadas.
Além disso, tornou-se capitão, conquistou o Campeonato Italiano e consolidou seu nome entre os maiores zagueiros da história do clube. Embora tenha atuado pouco tempo no Benfica, Aldair é lembrado como um dos melhores zagueiros da história do clube.
Anos depois, ainda seria campeão da Copa do Mundo de 1994 com a Seleção Brasileira. O título, aliás, serviu para consagrá-lo como um dos melhores zagueiros do mundo naquele ano ao lado do italiano Franco Baresi.
David Luiz brilhou em Lisboa antes de voltar ao Brasil
David Luiz chegou ao Benfica ainda jovem e foi em Portugal que ganhou projeção internacional. As boas atuações abriram caminho para a transferência ao Chelsea, onde conquistou a Liga dos Campeões da Europa.
Anos depois, retornou ao Brasil para defender o Flamengo. Com a camisa rubro-negra, conquistou uma Copa Libertadores da América, duas Copas do Brasil, assumiu papel de liderança e passou a ser uma das referências técnicas do elenco.
Everton Cebolinha viveu altos e baixos em Portugal
Contratado pelo Benfica em 2020 por 20 milhões de euros, Everton Cebolinha chegou cercado de expectativa. A contratação foi um pedido do técnico Jorge Jesus, que havia comandado o Flamengo e convenceu a diretoria portuguesa a investir pesado no atacante após o destaque alcançado no Grêmio.
O desempenho, entretanto, ficou muito abaixo do esperado. Em duas temporadas, vestiu a camisa do clube em 95 partidas, marcou 15 gols e distribuiu 17 assistências, mas nunca conseguiu se firmar como titular absoluto.
A dificuldade de adaptação ao futebol europeu, a troca de treinadores e a concorrência no setor ofensivo impediram que justificasse o investimento realizado pelo Benfica. Em 2022, por exemplo, o clube português negociou o atacante com o Flamengo por cerca de 14 milhões de euros.
No retorno ao Brasil, Everton Cebolinha alternou bons e maus momentos no Flamengo. Além disso, acumulou lesões musculares entre 2022 e 2026. A falta de regularidade fez com que o jogador não caísse nas graças do torcedor rubro-negro.
Airton e Gabriel Barbosa não conseguiram repetir o sucesso
Airton chegou ao Benfica em 2010, depois de boas temporadas pelo Flamengo. A expectativa era de que o volante acrescentasse força física ao meio-campo da equipe portuguesa. A passagem, porém, foi discreta.
Airton encontrou forte concorrência, teve dificuldades para se adaptar ao ritmo do futebol português e disputou apenas 13 partidas antes de retornar ao Brasil. Sem conseguir se firmar, encerrou rapidamente sua experiência em Lisboa.
Gabriel Barbosa, por sua vez, viveu situação semelhante. Emprestado pela Inter de Milão ao Benfica em 2017, o centroavante buscava recuperar a confiança após uma passagem sem destaque pelo futebol italiano.
Entretanto, voltou a encontrar dificuldades. Gabigol disputou apenas cinco partidas pela equipe principal, não marcou gols nem deu assistências e ainda atuou pela equipe B do clube. Sem espaço, retornou à Itália e, posteriormente, reencontrou seu melhor futebol no Santos.
Foi justamente esse desempenho que abriu caminho para sua contratação pelo Flamengo. No Rubro-Negro, Gabriel Barbosa acabou sendo decisivo nas conquistas de duas Copas Libertadores da América, dois Campeonatos Brasileiros, uma Copa do Brasil, além de diversos títulos estaduais.
Às vésperas de mais um confronto entre Flamengo e Benfica, as trajetórias desses jogadores mostram que a relação entre os clubes vai muito além dos amistosos e torneios internacionais. Entre histórias de sucesso, apostas frustradas e ídolos eternos, brasileiros continuam fortalecendo uma ponte que une Rio de Janeiro e Lisboa há décadas.