Antes de mais nada, o início de Franclim Carvalho no comando do Botafogo não é apenas promissor, é também superior ao de Artur Jorge quando se olha para os números frios. E, no futebol, eles ajudam a contar histórias, sobretudo entre dois técnicos que são do mesmo países e que tanto tempo partilharam.
Nos primeiros cinco jogos à frente da equipe, Franclim Carvalho soma três vitórias e dois empates. A sequência começou com igualdade por 1 a 1 diante do Caracas, pela Copa Sul-Americana, seguida de novo empate, 2 a 2 contra o Coritiba, na Série A do Campeonato Brasileiro.
A resposta veio em campo: vitória por 3 a 2 sobre o Racing, fora de casa, pela Sul-Americana, triunfo por 4 a 1 diante da Chapecoense na Série A e, por fim, vitória por 1 a 0 sobre o mesmo adversário na Copa do Brasil.
Ao todo, são 11 gols marcados e seis sofridos, um saldo positivo que traduz um time ofensivo, mas também capaz de reagir em momentos de pressão. Mais do que isso, o Botafogo de Franclim mostrou competitividade em três frentes diferentes, algo que exige rápida adaptação e leitura de jogo.
Como foi o arranque de Artur Jorge no Fogão?
Quando o recorte volta para 2024, o início de Artur Jorge apresenta um cenário distinto no time da Estrela Solitária. O treinador português, que atualmente comanda o Cruzeiro, somou três vitórias e consentiu duas derrotas nos primeiros cinco compromissos.
Venceu o Atlético Goianiense por 1 a 0 e aplicou uma goleada por 5 a 1 sobre o Juventude, ambos pelo Brasileirão, além de bater o Universitario por 3 a 1 na Copa Libertadores da América. No entanto, tropeçou fora de casa: derrotas por 3 a 2 diante do Cruzeiro, pelo Brasileirão, e por 1 a 0 frente à LDU.
No total, foram 11 gols marcados e seis sofridos, números idênticos aos de Franclim Carvalho, mas com menor consistência em resultados e, claro, menos pontos amealhados. É justamente nesse ponto que a diferença se acentua.
Enquanto Artur Jorge, atualmente técnico do Cruzeiro, alternou vitórias e derrotas, Franclim Carvalho manteve-se invicto, somando pontos em todos os jogos. A consistência inicial dá ao atual treinador uma vantagem clara neste arranque.
Auxiliar aprendeu com o “professor” e tem arranque como protagonista
O simbolismo da comparação é inevitável. Franclim foi auxiliar direto de Artur Jorge no Fogão e conhece bem as ideias que sustentavam o trabalho anterior. Agora, como protagonista, apresenta respostas imediatas e eficazes.
Ainda é cedo para conclusões definitivas, mas o impacto inicial é evidente. Entre vitórias, gols e invencibilidade, Franclim Carvalho não só começou bem, como começou melhor. E, no futebol, isso já diz muito.
*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal
