Paris 2024: jogo no Parque dos Príncipes expõe repetição de problemas do Comitê Organizador Local dos Jogos Olímpicos

A partida entre Brasil x Japão, no último domingo (28), pelo torneio de futebol feminino dos Jogos Olímpicos de Paris 2024 expôs a repetição de problemas do Comitê Organizador Local na operação do evento. A Agência RTI Esporte marcou presença no estádio Parc des Princes e pode notar uma série de erros de informação, bem como da estrutura do local da partida. Quanto ao confronto, a Seleção Brasileira perdeu para as japonesas por 2 a 1, de virada, em jogo válido pelo Grupo C.

Você conhece o canal da Agência RTI Esporte no Youtube? Clique e se inscreva!
Segurança e Transporte

Antes de trazer os pontos mais críticos da operação do jogo no estádio do Paris Saint-Germain, vamos às áreas que vem mostrando um serviço digno de medalha de ouro: o transporte e o sistema de segurança. A ida para o Parque dos Príncipes foi de metrô. Além da rapidez para se deslocar do local em que estamos hospedados até o estádio, o transporte estava sempre no horário, o que facilita a programação do torcedor na ida aos locais de competição.

Em meio à toda tensão e alerta máximo para o terrorismo, os agentes de segurança trabalharam com eficiência na entrada dos torcedores. Alguns foram revistados por mais tempo, pelo fato de estarem com mochila, mas nada que atrapalhasse o fluxo das pessoas e, também, atrasasse a entrada no Parque dos Príncipes.

Siga a Agência RTI Esporte também no Instagram, Facebook e Twitter.
Orientação aos Torcedores, Acessos ao Estádio e Serviço de Alimentação

Esses foram os pontos críticos da organização da partida entre Brasil x Japão. Apesar do ótimo trabalho dos voluntários de Paris 2024 orientando os torcedores sobre o caminho para os respectivos acessos ao estádio Parc des Princes, o público só foi informado da existência de uma estação de metrô mais próxima ao local da partida, no fim do evento. Por esse motivo, foi necessário fazer uma caminhada de cerca de 30 minutos da estação de metrô até o estádio do PSG.

Após passar pelo portão, constatamos que não haviam rampas de acesso às arquibancadas, o que dificultava a entrada de pessoas com deficiência e dos idosos. Para uma cidade que vai receber os Jogos Paralímpicos no próximo mês, a acessibilidade a todas as arenas de competição deveria ser prioridade desde já. No entanto, as placas com o símbolo da acessibilidade indicavam subidas de escadas.

No intervalo, a Agência RTI Esporte conversou com uma brasileira que estava indignada com o serviço de alimentação oferecido na partida. Além dos altos preços praticados, ela nos falou que todas as bebidas – água, refrigerantes e sucos – estavam quentes. Depois de dois dias de chuva intensa, o calor voltou à capital francesa com os termômetros chegando na casa dos 35ºC. Além das altas temperaturas, o ar está muito seco.

(*) Lucas Maciel, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Paris

Dançarinos dos Jogos Olímpicos de Paris ameaçam entrar em greve a poucos dias da cerimônia de abertura

O Comitê Organizador Local dos Jogos Olímpicos de Paris vai precisar lidar com mais um problema faltando menos de uma semana para a cerimônia de abertura do evento na capital francesa. Os dançarinos contratados para se apresentarem no dia 26 de julho ameaçaram entrar em greve, a partir da próxima semana. Com isso, os artistas não iriam se apresentar na festa que será realizada no rio Sena, na próxima sexta-feira, às 14:30h (horário de Brasília).

A Agência RTI Esporte apurou que os dançarinos alegam que há uma disparidade tanto salarial, quanto de tratamento entre os grupos de dança por parte da organização do evento. Uma fonte afirmou à reportagem, que há artistas recebendo cerca de 1.600 euros (pouco mais de R$9.500, na cotação atual), outros estão ganhando apenas 60 euros (cerca de R$360) para se apresentarem.

Você conhece o canal da Agência RTI Esporte no Youtube? Clique e se inscreva!

Quanto ao tratamento, as diferenças também são significativas entre os grupos. Alguns dançarinos estão recebendo transporte e acomodação. Já outros precisam arcar com esses custos. Diante desse cenário, esses artistas se mobilizaram para garantir a igualdade entre todos os participantes e enviaram uma carta ao Comitê Organizador Local para encontrarem uma solução. Caso contrário, ninguém vai se apresentar na abertura das Olimpíadas.

Até o momento, a organização do evento não se manifestou sobre a ameaça de greve. A expectativa, no entanto, é que nos próximos dias a situação seja contornada e, assim, a abertura dos Jogos Olímpicos ocorra conforme o programado.

Siga a Agência RTI Esporte também no Instagram, Facebook e Twitter.

A Agência RTI Esporte teve acesso a íntegra da carta do Sindicato Francês dos Artistas (SFA) enviada no dia 17 de julho; confira:

“Nós, “grupos de artistas (atores, dançarinos, acrobatas, etc.)” das cerimônias de abertura dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Paris 2024, estamos ansiosos para participar de “uma cerimônia de celebração e de federação”.

No entanto, embora o slogan “Fazer melhor juntos” seja hoje exibido por todo o lado nas ruas de Paris, vemos que as nossas condições de emprego não foram discutidas em conjunto, nem para melhor!

Em diversas ocasiões, o Sindicato dos Intérpretes Franceses alertou Paname24 (agência de produção de eventos, localizada em Paris), o produtor executivo das cerimónias, sobre práticas contratuais que não estavam em conformidade com o acordo coletivo. Também apontamos práticas questionáveis, desigualdades gritantes de tratamento, bem como uma ausência de diálogo social durante os preparativos para as cerimónias.

Após o nosso comunicado de imprensa de 7 de junho de 2024 e o nosso encaminhamento ao comitê da Carta Social Olímpica, foram realizadas duas reuniões de negociação com Paris 2024 e Paname24, nos dias 3 e 9 de julho de 2024, mas nenhuma resposta foi recebida desde então sobre os seguintes pontos:

  • Por que os direitos conexos, cobrados como pagamento pela gravação e difusão das suas performances coreográficas, flutuam entre 60 euros para trabalhadores intermitentes da indústria do entretenimento – até agora excluídos das negociações coletivas – e 1.610 euros para trabalhadores que puderam beneficiar por barganha coletiva?
  • Por que  certos artistas não parisienses têm e serão pagos e alojados, quando a maioria deles – os mais precários – não o será, mesmo que tenham os mesmos contratos de trabalho?
  • Os artistas que serão designados como substitutos nas apresentações da cerimônia terão a garantia de receber a mesma remuneração dos demais – com ou sem direitos conexos?

Propusemos uma discussão aberta para encontrar soluções aceitáveis ​​para todos, dentro dos limites de tempo associados à abordagem das cerimónias. Mas, até o momento, Paris 2024 e Paname24 parecem estar ganhando tempo, ao não agendarem novas reuniões.

Neste exato momento estão em andamento os ensaios gerais das cerimônias, e lamentamos ter que anunciar a emissão de aviso de greve para o espetáculo do dia 26 de julho de 2024, bem como para os próximos ensaios das cerimônias de abertura dos Jogos Paralímpicos.

“A dança existe para expressar (as) emoções, criando uma imagem viva e visual. Atinge corações, mentes e permanece nas memórias”. Portanto, não nos privemos destes artistas, vamos garantir que o legado desta grande festa e destes jogos não seja a perpetuação da precariedade dos seus empregos e das condições de trabalho degradadas. Ficar na memória dos espectadores não fará com que eles vivam da profissão.

Poder desfrutar, juntos, de um “momento tranquilo e partilhado, desta vez finalmente suspenso, longe desta violência que irrompe por todo o lado”, é chegada a hora de ouvir e responder às demandas legítimas dos artistas performáticos, apresentadas pelo nosso sindicato”.

(*) Lucas Maciel, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Paris

Comitê Organizador Local enfrenta problemas com o credenciamento de voluntários nos Jogos Olímpicos de Paris

A abertura oficial dos Jogos Olímpicos de Paris acontece daqui a uma semana, em cerimônia no Rio Sena. A cidade e o Comitê Organizador Local acertam os últimos preparativos para receber autoridades, delegações, atletas, turistas e voluntários. Nesta edição, são esperados que cerca de 40 mil pessoas venham de diversas partes do mundo, auxiliar na organização do evento.

No entanto, o Comitê Organizador Local vem enfrentando problemas no processo de credenciamento desses voluntários. A Agência RTI Esporte acompanhou, direto da capital francesa, a saga de um voluntário brasileiro, na faixa dos 25 anos de idade e que preferiu não se identificar, para conseguir o seu credenciamento para os Jogos Olímpicos de Paris.

Você conhece o canal da Agência RTI Esporte no Youtube? Clique e se inscreva!

Na manhã desta quinta-feira (18), nossa reportagem e o voluntário brasileiro se deslocaram até o Parc des Expositions, em Porte de Versailles, local do credenciamento e da retirada do uniforme dos voluntários. Ele passou pelo processo de triagem, onde as informações são verificadas a partir da apresentação de um documento de identificação, neste caso o passaporte.

A atendente informou ao jovem que seu nome não constava na lista de voluntários e o encaminhou para um segundo posto, onde ele receberia informações mais detalhadas sobre o ocorrido. Neste segundo atendimento, o voluntário recebeu a notícia de que “houve uma substituição em sua missão”. Questionado sobre o que se tratava essa substituição, o atendente respondeu “que não sabia dizer a causa da mudança e que não poderia fazer nada em relação ao credenciamento”. O brasileiro conversou com a nossa reportagem na saída do local.

Siga a Agência RTI Esporte também no Instagram, Facebook e Twitter.

“Eu vim do Brasil, me programei durante seis meses para estar aqui e quando chego descubro que meu nome sumiu do sistema. Não recebi qualquer email nesse período, informando sobre a substituição ou cancelamento da minha inscrição. Já tive o custo com passagem, hospedagem, além da alimentação e transporte desde o dia que cheguei”, explicou o jovem brasileiro.

Disse ainda que, em certo ponto da conversa com o atendente, o representante do Comitê Organizador Local insinuou que o brasileiro tivesse aceitado ou solicitado a substituição da missão como voluntário.

“No dia em que recebi a oferta da missão, tanto dos Jogos Olímpicos, quanto dos Jogos Paralímpicos, eu apenas aceitei as missões e dei início ao planejamento para estar aqui”, completou.

De acordo com o jovem brasileiro, este caso não foi o único registrado. Uma voluntária do Japão passou, também, pelo mesmo problema e deixou o Parc des Expositions sem a sua credencial para os Jogos Olímpicos de Paris.

(*) Lucas Maciel, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Paris

Sair da versão mobile