Presidente da La Liga pede saída de Gianni Infantino da FIFA: “O tempo dele acabou”

Javier Tebas, presidente da LaLiga, fez duras críticas a Gianni Infantino, presidente da FIFA, pela condução da última Copa do Mundo, nos Estados Unidos, México e Canadá. Em entrevista à Gazzetta dello Sport, da Itália, Tebas apontou os motivos pelos quais defende a saída imediata do mandatário da entidade máxima do futebol mundial.

“A Fifa faz as coisas como bem entende, para os seus próprios interesses, não para o futebol. Se eles precisam de um intervalo de 27 minutos, eles terão. As pausas para hidratação são uma farsa. Nós as temos na LaLiga, mas só quando está realmente calor. Era mentira, uma pausa para publicidade. E depois houve o caso Balogun. Isso prova que somos governados por uma instituição que faz e decide o que quer, quando quer, seguindo apenas os seus próprios interesses, sem considerar e nem sequer consultar o resto do futebol. E, em muitos casos, age em detrimento do futebol”, disse Javier Tebas.

O dirigente da La Liga recordou o caso da anulação do cartão vermelho para Balogoun, após a ligação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Infantino.

“Já expressamos repetidamente nossas preocupações sobre o calendário. E agora eles querem uma Copa do Mundo com 64 seleções. Aumentar o número de seleções nacionais não faz sentido. A indústria do futebol não se resume à Copa do Mundo, que é o evento mais importante. Mas nem tudo pode girar em torno da Copa do Mundo. São as competições nacionais que sustentam este esporte. Estão destruindo a indústria do futebol, que gera dezenas de milhares de empregos, por um evento que dura 40 dias e envolve uma minoria de jogadores”, disse Tebas.

Javier Tebas pede a saída de Gianni Infantino

“Acho que o tempo dele (Infantino) acabou. Mas ele tem o apoio do sistema, das federações, então não há muito mais a acrescentar. Este é o sistema, e é um sistema podre na sua essência”.

Presidente da LaLiga, Javier Tebas pede fim do Mundial de Clubes: “Amistoso de verão”

Antes de tudo, Javier Tebas, presidente da LaLiga, não poupou palavras ao comentar o novo formato do Mundial de Clubes. Em entrevista coletiva, ele foi taxativo ao afirmar que o torneio deveria ser extinto. “Como repensar: eliminando-o. Meu objetivo é que não haja mais, tenho isso muito claro”, disparou.

Assim, na visão do dirigente espanhol, o atual calendário do futebol mundial já está sobrecarregado: “Não faz falta outra competição que mova dinheiro para um setor de clubes e jogadores e saia de algum lado. Aqui não há mais dinheiro. Há que manter o ecossistema e eliminá-lo”, completou.

Além da crítica estrutural, Javier Tebas questionou a qualidade dos jogos disputados até agora: “Não vi um único jogo. Bem, vi um bocado de Chelsea contra o Los Angeles FC e parecia um amistoso de verão. Não vi intensidade, só correria. Pelo menos nos 25 minutos que vi. Depois não sei se melhorou”, revelou.

Ainda mais nada, Javier Tebas entende que o torneio deve afetar diretamente clubes espanhóis, como Real Madrid e Atlético de Madrid ao longo da temporada 2025/2026: “Claro que condiciona. Há um acordo coletivo que diz três semanas de férias e a LaLiga vai cumpri-lo”, garantiu.

Além disso, Javier Tebas ironizou a influência de dirigentes poderosos como Nasser Al-Khelaïfi, do Paris Saint-Germain: “Na Ligue 1 manda o Al Khelaifi. Se o Real Madrid e o Atlético chegarem às semifinais, ganham 120 milhões de euros e a gente vai ter que começar depois, porque eles vêm cansados”, disse antes de prosseguir:

“Isso está bem? O que os outros clubes vão pensar? Que termine o Mundial de Clubes. Por que temos de ser nós a mudar?”, finalizou o dirigente que vem conseguindo espaço na mídia, sobretudo a espanhola, para criticar o torneio organizado pela FIFA.

Quem é Javier Tebas?

Antes de mais nada, Javier Tebas tem 62 anos, nascido na Costa Rica e um advogado de sucesso que fez carreira no futebol. Desde 2013, preside a LaLiga, como é conhecida a Liga Espanhola de Futebol Profissional. Formado em direito pela Universidade de Zaragoza, na Espanha, ele exerce a profissão desde 1987.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

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