Richarlison: números justificam desconfiança no “dono” da camisa 9 do Brasil

Antes de mais nada, a ausência de Richarlison na convocação de Carlo Ancelotti para os amistosos contra França e Croácia reacendeu um debate antigo na Seleção Brasileira. Afinal, os números do atacante justificam a desconfiança em torno do “dono” da camisa 9?

Pela Amarelinha, Richarlison soma 20 gols em 54 partidas. Apesar disso, o atacante atravessa um longo jejum. Já são 13 jogos consecutivos sem marcar pela Seleção Brasileira, sendo que o último gol aconteceu ainda na Copa do Mundo do Catar, em 2022, na vitória por 4 a 1 sobre a Coreia do Sul.

Naquele torneio, inclusive, o jogador viveu seu melhor momento com a camisa da Seleção Brasileira. Foram três gols em quatro jogos, incluindo atuações decisivas que o colocaram como referência ofensiva da equipe.

No entanto, desde então, o rendimento ofensivo caiu e os números deixaram de acompanhar a expectativa. No Tottenham, por exemplo, o cenário é semelhante. Richarlison vive sua segunda melhor temporada pelo clube inglês, com 10 gols e quatro assistências em 37 partidas.

Além disso, apresenta leve evolução recente, com dois gols e uma assistência nos últimos cinco jogos, entre Champions League e Premier League. Ainda assim, os números gerais da carreira ajudam a explicar a desconfiança.

Em sua melhor temporada pelos Spurs, em 2023/2024, o atacante marcou 13 gols e distribuiu quatro assistências. Já o melhor desempenho como profissional aconteceu em 2019/2020, pelo Everton, quando somou 15 gols e quatro assistências.

Richarlison nunca marcou 20 gols numa temporada na carreira

Ou seja, mesmo atuando como centroavante, ainda que com características de mobilidade, Richarlison nunca alcançou números realmente elevados. O atacante jamais chegou à marca de 20 gols em uma única temporada, algo frequentemente esperado de um camisa 9 titular de Seleção Brasileira.

Dessa forma, a decisão de Ancelotti ganha contexto. O italiano parece buscar alternativas que ofereçam maior regularidade ofensiva e presença de área, características que nem sempre aparecem nos números do jogador revelado pelo América-MG e que se evidenciou no Fluminense antes de ir para a Europa.

Assim, a discussão permanece aberta. Entre momentos decisivos e períodos de baixa produtividade, o atacante ainda busca provar que pode ser, de forma consistente, o principal nome do ataque da Seleção Brasileira.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

Publicado por

André Freixo

Com uma ligação umbilical ao esporte-rei (já foi e fez de tudo no futebol dentro das quatro linhas), formou-se e pós-graduou em Jornalismo e Comunicação na Universidade de Coimbra sendo jornalista, na área esportiva, há mais de uma década no Diário de Coimbra. Foi, também, comentador e analista esportivo na Rádio Universidade de Coimbra.

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