Antes de mais nada, segue o impasse em relação à participação do Irã na Copa do Mundo de 2026. Nesta quinta-feira (19), o presidente da Federação de Futebol do país, Mehdi Taj, afirmou que o objetivo da entidade é um boicote aos Estados Unidos e não ao evento.
“A seleção nacional está realizando um período de treinamento na Turquia, e também jogaremos duas partidas amistosas lá. Vamos boicotar os Estados Unidos, mas não vamos boicotar a Copa do Mundo”, disse o dirigente.
A fala vem em meio ao aumento da violência entre Estados Unidos, Israel e Irã, em decorrência do conflito iniciado em 28 de fevereiro. Na terça-feira (17), a embaixada iraniana, no México, sugeriu à FIFA que os jogos da seleção fossem realizados nas cidades mexicanas. No entanto, a tendência é de que entidade máxima do futebol mundial não aceite o pedido.
Diante do impasse, a Agência RTI Esporte conversou com o advogado Pedro Canellas para entender os impactos jurídicos da não participação da seleção no Mundial. De acordo com o especialista em Direito Desportivo, a retirada da seleção iraniana estará sujeita a sanções financeiras aplicadas pelo Comitê Disciplinar da FIFA.
“O Regulamento da competição trata dessa hipótese no artigo 6.2. Se a retirada ocorrer até 30 dias antes da primeira partida da fase de grupos da Copa do Mundo, a Federação pode ser multada em pelo menos 250 mil francos suíços (cerca de R$1,6 milhão, na cotação atual). Caso a retirada ocorra a menos de 30 dias do início da competição, a multa mínima sobe para 500 mil francos suíços (R$3,3 milhões, na cotação atual). Além disso, a entidade nacional que se retirar deve reembolsar integralmente os valores recebidos da FIFA para preparação da equipe e quaisquer contribuições relacionadas ao torneio”, explicou Pedro Canellas
Ainda segundo o jurista, a FIFA poderá adotar medidas disciplinares contra a Federação Iraniana de Futebol. Neste caso, a entidade vai analisar a gravidade do caso e o momento em que a situação se confirmar.
“O regulamento também prevê que o Comitê Disciplinar pode aplicar outras medidas disciplinares, levando em conta fatores como o momento da retirada e a gravidade da violação. Entre essas medidas está a possibilidade de exclusão da federação de competições futuras organizadas pela FIFA”, completou o advogado.
Impacto nas seleções iranianas de base?
Questionado sobre a extensão das possíveis sanções à Federação Iraniana de Futebol, Pedro Canellas não descarta um impacto nas seleções de base do país. Por outro lado, ele avalia que, por se tratar de uma competição específica, as punições ficarão restritas, neste caso, à Copa do Mundo.
“Do ponto de vista jurídico, as sanções da FIFA são aplicadas à associação nacional afiliada, e não apenas a uma equipe específica. Isso significa que, em tese, medidas disciplinares podem atingir toda a federação e, portanto, ter reflexos institucionais mais amplos. No entanto, em casos como a retirada de uma competição específica, a tendência é que as consequências estejam vinculadas ao torneio em questão, salvo se a FIFA decidir impor sanções institucionais mais amplas”, declarou Pedro Canellas.
E como ficam os clubes iranianos?
Por fim, o advogado especialista em Direito Desportivo analisou os impactos no futebol local. Neste caso, uma possível sanção da FIFA à Federação do país asiático não teria impacto sobre os clubes iranianos. O máximo que poderia acontecer, seria em relação à participação dessas equipes nas competições internacionais organizadas pela entidade máxima do futebol mundial.
“Do ponto de vista jurídico, as sanções da FIFA são aplicadas à associação nacional afiliada, e não apenas a uma equipe específica. Isso significa que, em tese, medidas disciplinares podem atingir toda a federação e, portanto, ter reflexos institucionais mais amplos. No entanto, em casos como a retirada de uma competição específica, a tendência é que as consequências estejam vinculadas ao torneio em questão, salvo se a FIFA decidir impor sanções institucionais mais amplas”, finalizou o jurista.
Jogos na Copa do Mundo
O Irã está no Grupo G, ao lado da Bélgica, Egito e Nova Zelândia. A seleção do Oriente Médio faz sua estreia diante dos neozelandeses, no dia 15 de junho, às 23h (horário de Brasília), no SoFi Stadium, em Los Angeles. As demais partidas também acontecem nos Estados Unidos.
