Natural de Miranda do Corvo, município localizado no distrito de Coimbra, em Portugal, Franclim Carvalho está vivendo uma das maiores experiências da carreira. No comando do Botafogo desde abril, o técnico tenta deixar a sua identidade em um dos clubes mais tradicionais do futebol brasileiro.
Em entrevista ao Diário de Coimbra, jornal da sua região natal, o técnico de 42 anos fez um balanço dos primeiros meses no Rio de Janeiro, como treinador de um time onde já tinha brilhado na condição de adjunto com Artur Jorge, e não escondeu o peso de liderar um clube da dimensão da Estrela Solitária.
“Não gosto da palavra pressão, mas sim responsabilidade. Nós representamos um clube grande, com muita história, muito respeitado e invejado. Para nós tem de ser um orgulho tremendo, mas com a responsabilidade de sabermos que representamos cerca de seis a sete milhões de adeptos”, afirmou.
Um início intenso e um time em crescimento
A adaptação ao futebol brasileiro aconteceu em ritmo acelerado. Desde a chegada ao clube, Franclim Carvalho teve pouco tempo para implementar as suas ideias devido à sequência de compromissos pelo Campeonato Brasileiro e Copa Sul-Americana.
“Desde que chegámos ao clube no início de abril fizemos 16 jogos em cerca de 50 dias. Para quem chega e quer colocar o cunho pessoal isso dificulta, mas nós já sabíamos o que íamos encontrar”, explicou ao Diário de Coimbra.
Mesmo diante da maratona de partidas, os números mostram uma evolução consistente. Em 16 jogos no comando do Botafogo, Franclim Carvalho soma oito vitórias, cinco empates e apenas três derrotas, alcançando um aproveitamento de 60,4%.
A equipe marcou 31 gols e sofreu 19 neste período, demonstrando uma proposta de jogo ofensiva. Logo nos primeiros compromissos, o treinador chegou a construir uma sequência de sete partidas sem derrotas, enquanto a maior série de vitórias consecutivas foi de três jogos.
Copa Sul-Americana é o grande destaque: “O objetivo é vencer a prova”
Se na Série A do Campeonato Brasileiro a equipe segue uma caminhada de recuperação, sendo 12º colocado, o grande cartão de visita do trabalho de Franclim Carvalho tem sido a campanha na Copa Sul-Americana.
O Botafogo encerrou a fase de grupos com campanha perfeita, conquistando 16 pontos e avançando com a melhor campanha da competição. O time marcou 15 gols e sofreu apenas cinco em seis partidas, números que reforçam a solidez construída pelo treinador português.
“O objetivo é vencer a prova. Fizemos uma fase de grupos a roçar a perfeição. Empatámos o primeiro jogo, que foi a nossa estreia, no dia 9 de abril, e depois ganhámos os outros cinco encontros”, disse Franclim, destacando o percurso continental da equipe.
A eliminação que deixou marcas e a ambição pelo futuro
Nem tudo, contudo, foi positivo neste início de trajetória. A eliminação na Copa do Brasil diante da Chapecoense foi o momento mais duro da passagem pelo Clube da Estrela Solitária. Franclim Carvalho lamentou principalmente a atuação abaixo do esperado no primeiro tempo da segunda partida.
Embora tenha destacado a capacidade de reação da equipe, que terminou o confronto com 22 finalizações e, de forma rara, não conseguiu balançar as redes. Foi, inclusive, o único dos 16 jogos sob o seu comando em que o Botafogo passou em branco.
O treinador acredita que o grupo tem margem para crescer e destaca o compromisso dos jogadores na assimilação das ideias. “Tenho um grupo muito dedicado. A capacidade de trabalho e a ambição têm sido enormes. A aceitação da nossa proposta foi muito boa e isso deixa-me bastante satisfeito”, concluiu.
*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal
